Humanos
Somos constelações em brasa,
somos poeira incandescente
Somos um monte de nada,e ao mesmo tempo um pouco de tudo

Somos constelações em brasa,
somos poeira incandescente
Somos um monte de nada,e ao mesmo tempo um pouco de tudo
Falta sempre passado
Pra quem não vive no presente
E pensa muito no futuro
Não ter ninguém pra te dar boa noite,
ninguém pra te falar bom dia?
Ninguém que se preocupa
Ou que se ocupa com sua companhia
Ninguém que te espera
Ou espera para ver como seria
Sensação de liberdade?
Ou saudade de ter companhia?
Como que é?
Não ter ninguém?
Ninguém.
Foda viver diferente
Não seguir a corrente
Precisa trampa bem a mente
Não se fazer de inocente
Acolher as treta consciente
Fortalecer o guerreiro sobrevivente
Sem se perder no conveniente
O bagulho é loco
Cabeça fria
E coração quente
Eis que bate, sozinha
Quando nada mais esquenta
O tanto de plano, estratégia e motivo
Escapa, escorrega e esvazia
Sessão individual de terapia
Clareza além de monotonia
Tempo flui em harmonia
Dissolve do ego hipocrisia
Insubordinação que caminha
Naturalmente como erva daninha
Mesmo sem olhos atentos,
em algumas coisas há atenção
pelo simples fato
de não exigirem tal ato
– e serem, apenas, fato.
A estrada que chega ao fim
O caminho que começa
Ilusões de que existe fronteira
Enganos de que há algo além de jornada
É preciso ouvir o silêncio e seu cortejo
Para ver se em mim vejo
A natureza de cada medo e desejo
Hoje acordei e não te vi
O céu encoberto
Chuva e frio
Porque hoje acordei e não te vi
Até que um raio de sol
Entre nuvens se apresenta
Iluminando meu ser inteiro
E esquentando meus pés gelados
Não era você que chegava
Mas sua presença que, em mim, notava
Hoje acordei e não te vi
Porque hoje acordei e te senti
Cada segundo contigo é um infinito de possibilidades
Sinto cultivando semente que
Desamparada pelo acaso caótico destino ou
Maltratada pelas intempéries do tempo
Pode nunca germinar…
…pode gerar árvore sem fruto
…e pode nem árvore sequer transformar
Mas não a cultivo para ter seu fruto, sua sombra ou sua beleza
A cultivo por cultivar
Porque cuidar um pouco, todo dia, basta
Viver, um pouco, todo dia, não só preenche
Transborda
Tem hora que não dá tempo
Porque contigo, todo tempo passa muito rápido
Parece que faltam horas, dias, meses, anos…
Porque contigo, dá vontade de viver agora pra sempre
Ontem podia ser hoje, e hoje amanhã
Porque tempo deixa de existir no teu abraço
E quando vemos, o Sol já foi embora
Deixando soar na noite um eco
Do teu toque, do teu perfume, da tua gargalhada…
Fica a vontade de te fazer cafuné
E acordar cutucando teu pé
À soma dos meus fracassos,
Ao múltiplo dos meus quase,
Me abandonem de vez, me libertem!