A gente

A gente acha fácil e quando vê…já foi
A gente pensa que é e acaba por viajar prum lugar perigoso…nos pensamentos
Tenta decifrar cada passo…são coisas sem cifra
Tenta fazer o certo, com calma…acaba por se calar ou falar demais
Acha que consegue dominar, domar, envolver…só nos perdemos mais e mais
Acha que dá pra tentar…mas Nós não quer, só agente
No final, a gente espera…
Espera um sorriso sincero
Espera um beijo de adeus
Espera um – um sequer gesto de carinho.
É, a gente sabe que às vezes falta.
Falta tanto que até faz falta a falta.
Uns bebem, outros escrevem
Tem gente que corre, tem gente que foge
Mas só a gente, pra poder continuar
Tentando, talvez
Mudando, talvez
Só a gente pra não deixar escapar
Mais uma vez
O amor

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Improdutividade sabadal

Já se sentiu sem vontade de fazer nada? Mas com vontade de fazer algo?
Não é tédio!
Já sentiu que ficava ali , esperando o tempo passar só por esperar e mais nada?
Não é tédio!
Já se sentiu não amado , com mil dúvidas sobre o seu amor , sobre os “porquês” disso e daquilo?
Não é tédio!
Já se sentiu ali , parado , e seu único ato era trocar de música para uma mais lenta e depressiva ?
Não é tédio!
Ahhhhhhh já chega desse tédio!

Fui fumar um cigarro…

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Vó Thereza

Já faz tempo, mas ainda me lembro…

Das tardes na cama brincando de Lego, das revistas de carnaval que olhava em tua casa só pra ver aquelas mulheres peladas, dos desenhos que agente fazia, das histórias que você lia para mim, das coisas que só você sabia.

Ah, minha Vó Thereza, foi você que cuidou de mim todo aquele tempo que lembro tão bem.

De vez em sempre eu aprontava, você ficava brava, mas nunca deixava minha mãe me pôr de castigo…E quando o Nono me batia então, você enlouquecia de vez!

Quando você ficou doente eu mal sabia o que era ter saúde, foi na época que para mim o mais importante eram os Cavaleiros do Zodiaco. Para mim, naquela época câncer era um palavrão dos piores, porque sempre que alguém falava ficava triste.

Quando você foi operada eu mal sabia o que era médico, foi na época que para mim ele era um cara chato que toda a vez que eu ia não me deixava tomar sorvete. Para mim, naquela época não sabia que aquele cara chato te salvou, uma vez.

Quando você morreu. Quando você moreu eu mal sabia o que era viver, foi naquele dia do seu enterro que eu fiquei feliz, porque eu vi todos os parentes distântes que eu só via no Natal. Foi quando minha mãe, chorando, me disse:

Quer dar tchau para sua avó?

Apenas fiz um leve sim com a cabeça, ela me ergueu, ainda chorando, e permitiu que eu pudesse ver minha tão querida Vó Tereza pela última vez.

Querida Vó Tereza, que os anjos a tenham.

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Tédio

Fui buscar o café.

O chão da cozinha molhado com os respingos da chuva que veio.

[Que cabeça a minha deixar a porta entre aberta]

[…]

Amargo. Mesmo com as tantas colheres de açúcar de costume.

[…]

Mais um gole.

[…]

Já não tão amargo quanto o primeiro.

[Que deprimente, escrever sobre o café]

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Café, o poema do café

Café de meia, de cafeteira
Tomo até de mamadeira

Café em grão, de verão
Secando ao Sol na fazenda do Barão

Café em pó, com pão e só
Cedinho na casa da vovó

Café expresso, de padaria
Com gosto de correria

Se o café, coitado, soubesse para onde iria,
Sequer ele nasceria.

Mas se não fosse a coragem do café,
Eu não estaria de pé,
Escrevendo poesia

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O Tempo e o Homem

Sou criança, sensível em busca do sorriso
Sou garoto, moleque em busca do maduro
Sou jovem, rebelde em busca da vida
Sou adulto, sensato em busca da segurança
Sou velho, sensível em busca do sorriso…de criança

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O Amor que tenho por Ti

O Amor que tenho por ti seria igual a todo amor
Se não fosse por algo especial
Algo que nenhum outro amor tem
E que nenhum outro alguém ama mais do que eu
Ti.

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letrasolta

O poeta escreve e deve solto escrever:
reinventar palavras, soltar a letra e lançar o acento.

O poeta escreve e deve solto escrever:
grafar poesia, tatear o intacto.

E deve escrever, acima de tudo, solto o poeta:
perder-se na gramática, sem à métrica se prender.

solto.escrever.deve o poeta.

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