Impermanência
A estrada que chega ao fim
O caminho que começa
Ilusões de que existe fronteira
Enganos de que há algo além de jornada

Poemas sobre mudança para almas inquietas e corações partidos
A estrada que chega ao fim
O caminho que começa
Ilusões de que existe fronteira
Enganos de que há algo além de jornada
O que é um lugar?
O que é um aonde?
O que é essa brisa que me faz pensar
Por que foi que puxei o bonde?
Se pá é a mania de mudar
Se pá é o sentido que não corresponde
Se pá é excesso de lembrar
Se pá é o sentimento que se esconde
Se pá é o cansaço de parar
Se pá é o destino que não me responde
Adeus ou até breve?
Já que ninguém sabe o que sucede,
que seja o caminho pruma vida mais leve
– até porque só acredita em destino quem pouco se atreve.
Mais de mês e ela vazia
Morta, seca e sozinha
Como tantas coisas na vida, falta só:
Um lugar melhor
Um cadão de sol
– e não desistir de cuidar
Das lágrimas sofridas, das feridas no meu peito
Nasce um novo homem cheio de defeito
Que aceita sua humanidade
Que respeita sua idade
Não se deixa levar pelo egocêntrico
Não aceita nada que não seja autêntico
Se observando esse homem caminha
Se cuidando para não perder a linha
Com calma e carinho constrói sua fortaleza
Para impedir que o mundo tire sua leveza
Aprendendo que também pode existir compaixão
No bravo ato de falar “não”
A busca é pra deixar de ser oito ou oitenta
Mesmo que seja lenta
Em sua complexidade encontrar saudável abrigo
E só assim estar pronto para encarar qualquer perigo