Pena
O perdão nunca pedido condensa lentamente em lágrima.
Lágrima, que escorre e corta cada centímetro de um rosto arrependido.
Lágrima, que corta a alma.

Poemas sobre tristeza para almas inquietas e corações partidos
O perdão nunca pedido condensa lentamente em lágrima.
Lágrima, que escorre e corta cada centímetro de um rosto arrependido.
Lágrima, que corta a alma.
E de repente é ela
Velha companheira que aparece
Revoada no frio de outono
Umedece o rosto em lágrima
Encolhe o corpo num abraço só
Que seja bem vinda, solidão
Laço que revolta sem raiva
Carinho amargo que presenteia a alma
Que seja bem vinda,
Mas que não demore tanto para ir embora
Sobra sonho não realizado
Sobra boleto que não foi pago
Sobra cansaço por não ter planejado
Sobra começo sem ter acabado
Sobra falta de quem não devia ter faltado
Sobra peça fora do quadrado
Sobra eu totalmente deslocado
Num mundo que parece que dorme acordado
Sobra preguiça pra ser ousado
Sobra arrependimento de ser inconformado
Sobra grito na garganta entalado
Sobra tristeza no quarto deitado
O choro que chora de saudade
De ouvir no piano ou no rádio pela cidade
Lembrança do silêncio e sua sonoridade
Herança que me foi entregue
Amor que diariamente me persegue
Que suas notas minh’alma sempre regue
às vezes a gente esquece
que tudo um dia perece
que mesmo que por vezes parece
pra sempre nunca acontece
Eis a parte que despedaça todo laço,
Eis o pedaço que contempla todo descaso.
De lábio doce profere palavra vestida de culta,
De perna curta se recusa em manter oculta.
Machuca muito mais que soco,
Atinge muito além do osso.
…deixa o coração completamente oco.
“O coração chora…a alma, evapora.”
Mazela da alma e do coração,
feitiço que me encanta à distância vasta solidão,
quebra a guarda e destrói aos poucos cada centímetro de vida.
Sem sentido escrevo de olhos fechados,
psicógrafo das coisas que minha alma anseia em vão,
pois a vida sem sentido caminha em sua vaidade plena.
…de nada vale o dinheiro, o tempo e o cuidado…
…de nada vale nada e é tudo efêmero…
Tudo não passa de um grande baile de mascarados.
Escondidos, mantém sua postura até a coxia.
– pois só nas coxas são capazes de mostrar quem realmente são.
Talvez seja aceitar a trivialidade de ser humano,
há falta de sentido que a vida tem.
– saborear todos os gostos da solidão.
…dos pedaços quebrados sem recomposição…
…das cicatrizes abertas e tecido em decomposição…
Me dá ânsia ser eu mesmo…
…resta o resto do que sobrou um dia,
de um muleque com tanto sonho, bom humor e alegria.
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro
Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento
Se faz tempestade repentina
Lavando a tristeza que não termina
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro
Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento
Se faz tempestade repentina
Lavando tristeza que não termina