Paixonites

Te ver e inevitável parece
Soltar um sorriso envergonhado
Meio escondido, meio acanhado
Soltar um sorriso que aquece

Me completo de medo das fita que já vivi
De pensar num futuro que nem existe
Mas te ver e inevitável parece
Soltar um sorriso envergonhado

127 / 139

Plano Sutil

Existe um lugar um tanto além…

Um lugar que não é de estadia ou destino de chegada.

Um lugar que não é, que está.

Um lugar que não é onde, é quando.

Um lugar que não se conquista, mas um estado que se acessa.

Um lugar que não se chega, mas acontece.

Um lugar que não tem fronteira, mas assume várias formas.

Um lugar que não é de conexão ou de comunicação, mas de afinação.

Existe um lugar um tanto além…

Um lugar que compõe um todo indivisível.

Um lugar de unidade.

Um lugar de não dualidade.

Existe um plano Sutil.

126 / 139

Jardim

As flores do meu jardim nascem, desabrocham e morrem.

As flores e eu.

125 / 139

Pregação

Por favor, não me sigam
Não escutem o que eu digo
Não façam o que eu faço
Não sejam meus discípulos
Não comprem meus cursos
Não busquem sentido
Não me idolatrem
Não me presenteiem
Não me reverenciem
Não me elevem
Não me consagrem
Não me considerem guru

Não tentem compreender porque atravessei a rua…

A vida é mais simples, efêmera e caótica
A vida é uma ciscada de cada vez

Pocó!

124 / 139

Puxei o bonde

O que é um lugar?
O que é um aonde?

O que é essa brisa que me faz pensar
Por que foi que puxei o bonde?

Se pá é a mania de mudar
Se pá é o sentido que não corresponde

Se pá é excesso de lembrar
Se pá é o sentimento que se esconde

Se pá é o cansaço de parar
Se pá é o destino que não me responde

123 / 139

A propósito…

“Esse negócio de propósito é um negócio que hoje, a propósito, virou negócio.”

122 / 139

Reticências

Adeus ou até breve?
Já que ninguém sabe o que sucede,
que seja o caminho pruma vida mais leve
– até porque só acredita em destino quem pouco se atreve.

121 / 139

Teatro do Ego

Parece grade que prisão assombra
Mas é projeção e sombra
Que cabeça monta
Aprisiona tonta

119 / 139

Ah se eu pudesse…

Me lembro muito bem, meu bem
Do dia que você me conquistou
Já faz um tempo eu sei, meu bem
E o nosso tempo já passou

Mas perdi a chave do meu ser
Quando colei só para tever

Ah se eu pudesse…
Ah se eu pudesse…

Me lembro muito bem, meu bem
Das noites que andei sem direção
Vaguei sem ter ninguém, meu bem
E a noite virou dia sem perdão

É que perdi a chave do meu ser
Então colei só pra te ver

Ah se eu pudesse…
Ah se eu pudesse…

Eu nunca imaginei porém
Do tempo que ainda nos restou
Que nada disso iria além
Que a ilusão já se acabou

Mas nem sei da chave do meu ser
E colo aqui só pra ter ver

Ah se eu pudesse…
Ah se eu pudesse…

Letra da música “Ah se eu pudesse…”, faixa do EP “Para Corações Partidos – já disponível nas principais plataformas de streaming por aqui.

118 / 139

Pena

O perdão nunca pedido condensa lentamente em lágrima.

Lágrima, que escorre e corta cada centímetro de um rosto arrependido.

Lágrima, que corta a alma.

117 / 139

Invictus (Tradução Português - BR)

Do ventre da noite que me encobre,
Negra feito abismo sem margem.
Agradeço seja lá o que Deuse é,
Pela minha alma que não se rende.

Sob as crueis garras da circunstância
Não tremi, nem chorei alto.
Sob o espanco do acaso
Minha cabeça está ensanguentada, mas não se curva.

Além deste lugar de ira e lágrimas,
Paira apenas o horror da escuridão.
Ainda assim a ameaça do tempo
Chegará, e me encontrará sem medo.

Não importa quão estreito seja o portão,
Quão cheio de punições o julgamento,
Eu sou o mestre do meu destino,
Eu sou o capitão da minha alma.

Tradução do poema “Invitus” de William E. Henley para o Português (BR), conhecido por ter inspirado Nelson Mandela a persistir em seus 27 anos de prisão durante o regime do apartheid na África do Sul entre 1948 e 1994

116 / 139