Desencontro

Teu trauma tromba no meu
Minha boca encontra coa tua
Toque que derreteu
Palavra que fere e perfura

No arrepio que aparece
Na perna que estremece
Na paz que perece
No prazer que mais queima que aquece

Dormir na água sem pijama
Com o pés cheios de lama
Treta, poesia e um bom tanto de drama

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Imatéria

Espera sem pressa
ainda assim é espera

Flor é estado além de coisa
planta é ser além de nome

Nada espera
porque tudo já está

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Paixonites

Te ver e inevitável parece
Soltar um sorriso envergonhado
Meio escondido, meio acanhado
Soltar um sorriso que aquece

Me completo de medo das fita que já vivi
De pensar num futuro que nem existe
Mas te ver e inevitável parece
Soltar um sorriso envergonhado

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Plano Sutil

Existe um lugar um tanto além…

Um lugar que não é de estadia ou destino de chegada.

Um lugar que não é, que está.

Um lugar que não é onde, é quando.

Um lugar que não se conquista, mas um estado que se acessa.

Um lugar que não se chega, mas acontece.

Um lugar que não tem fronteira, mas assume várias formas.

Um lugar que não é de conexão ou de comunicação, mas de afinação.

Existe um lugar um tanto além…

Um lugar que compõe um todo indivisível.

Um lugar de unidade.

Um lugar de não dualidade.

Existe um plano Sutil.

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Jardim

As flores do meu jardim nascem, desabrocham e morrem.

As flores e eu.

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Pregação

Por favor, não me sigam
Não escutem o que eu digo
Não façam o que eu faço
Não sejam meus discípulos
Não comprem meus cursos
Não busquem sentido
Não me idolatrem
Não me presenteiem
Não me reverenciem
Não me elevem
Não me consagrem
Não me considerem guru

Não tentem compreender porque atravessei a rua…

A vida é mais simples, efêmera e caótica
A vida é uma ciscada de cada vez

Pocó!

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Puxei o bonde

O que é um lugar?
O que é um aonde?

O que é essa brisa que me faz pensar
Por que foi que puxei o bonde?

Se pá é a mania de mudar
Se pá é o sentido que não corresponde

Se pá é excesso de lembrar
Se pá é o sentimento que se esconde

Se pá é o cansaço de parar
Se pá é o destino que não me responde

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A propósito…

“Esse negócio de propósito é um negócio que hoje, a propósito, virou negócio.”

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Reticências

Adeus ou até breve?
Já que ninguém sabe o que sucede,
que seja o caminho pruma vida mais leve
– até porque só acredita em destino quem pouco se atreve.

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Teatro do Ego

Parece grade que prisão assombra
Mas é projeção e sombra
Que cabeça monta
Aprisiona tonta

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Ah se eu pudesse…

Me lembro muito bem, meu bem
Do dia que você me conquistou
Já faz um tempo eu sei, meu bem
E o nosso tempo já passou

Mas perdi a chave do meu ser
Quando colei só para tever

Ah se eu pudesse…
Ah se eu pudesse…

Me lembro muito bem, meu bem
Das noites que andei sem direção
Vaguei sem ter ninguém, meu bem
E a noite virou dia sem perdão

É que perdi a chave do meu ser
Então colei só pra te ver

Ah se eu pudesse…
Ah se eu pudesse…

Eu nunca imaginei porém
Do tempo que ainda nos restou
Que nada disso iria além
Que a ilusão já se acabou

Mas nem sei da chave do meu ser
E colo aqui só pra ter ver

Ah se eu pudesse…
Ah se eu pudesse…

Letra da música “Ah se eu pudesse…”, faixa do EP “Para Corações Partidos – já disponível nas principais plataformas de streaming por aqui.

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