Pena
O perdão nunca pedido condensa lentamente em lágrima.
Lágrima, que escorre e corta cada centímetro de um rosto arrependido.
Lágrima, que corta a alma.

— Desde 2010 —
O perdão nunca pedido condensa lentamente em lágrima.
Lágrima, que escorre e corta cada centímetro de um rosto arrependido.
Lágrima, que corta a alma.
Do ventre da noite que me encobre,
Negra feito abismo sem margem.
Agradeço seja lá o que Deuse é,
Pela minha alma que não se rende.
Sob as crueis garras da circunstância
Não tremi, nem chorei alto.
Sob o espanco do acaso
Minha cabeça está ensanguentada, mas não se curva.
Além deste lugar de ira e lágrimas,
Paira apenas o horror da escuridão.
Ainda assim a ameaça do tempo
Chegará, e me encontrará sem medo.
Não importa quão estreito seja o portão,
Quão cheio de punições o julgamento,
Eu sou o mestre do meu destino,
Eu sou o capitão da minha alma.
Tradução do poema “Invitus” de William E. Henley para o Português (BR), conhecido por ter inspirado Nelson Mandela a persistir em seus 27 anos de prisão durante o regime do apartheid na África do Sul entre 1948 e 1994
Atrasado na vida
Que hoje é só minha
Porque queria que fosse nossa:
Um cachorro, uma caminhonete véia…
…e você
Hoje o silêncio da manhã não trouxe paz
– e muito menos harmonia.
Mas vazio que condensa em choro,
já que não tem seu bom dia.
“Com pressa de viver, perde-se o tempo da vida.”
E de repente é ela
Velha companheira que aparece
Revoada no frio de outono
Umedece o rosto em lágrima
Encolhe o corpo num abraço só
Que seja bem vinda, solidão
Laço que revolta sem raiva
Carinho amargo que presenteia a alma
Que seja bem vinda,
Mas que não demore tanto para ir embora
Quem se perde correndo atrás de tendência,
nunca encontra verdadeira essência.
É na ausência que o dilema floresce.
É na presença que a arte acontece.
“Notavelmente invisível, visivelmente notado.”
Sobra sonho não realizado
Sobra boleto que não foi pago
Sobra cansaço por não ter planejado
Sobra começo sem ter acabado
Sobra falta de quem não devia ter faltado
Sobra peça fora do quadrado
Sobra eu totalmente deslocado
Num mundo que parece que dorme acordado
Sobra preguiça pra ser ousado
Sobra arrependimento de ser inconformado
Sobra grito na garganta entalado
Sobra tristeza no quarto deitado
Quando o FEED excéde,
as ideia retrocéde
o cérebro apodréce.
Parece brincadeira, inocente
Quando entra na tua mente
Sabotando seu inconsciente
As ideia errada e as batida de putaria
Aliena a maioria
Afogando em disforia
os que poderia lutar por melhoria
Rebolando ao som de sirene
enquanto o mundo derrete
Falta de profundidade se pá nos condene
enquanto o inimigo se diverte
“Meu eu foi muito eu pra gente.”