Visita

E de repente é ela
Velha companheira que aparece
Revoada no frio de outono
Umedece o rosto em lágrima
Encolhe o corpo num abraço só

Que seja bem vinda, solidão
Laço que revolta sem raiva
Carinho amargo que presenteia a alma

Que seja bem vinda,
Mas que não demore tanto para ir embora

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Hype

Quem se perde correndo atrás de tendência,
nunca encontra verdadeira essência.

É na ausência que o dilema floresce.
É na presença que a arte acontece.

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Sobra

Sobra sonho não realizado
Sobra boleto que não foi pago
Sobra cansaço por não ter planejado
Sobra começo sem ter acabado
Sobra falta de quem não devia ter faltado
Sobra peça fora do quadrado
Sobra eu totalmente deslocado
Num mundo que parece que dorme acordado
Sobra preguiça pra ser ousado
Sobra arrependimento de ser inconformado
Sobra grito na garganta entalado
Sobra tristeza no quarto deitado

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Segue o Baile

Parece brincadeira, inocente
Quando entra na tua mente
Sabotando seu inconsciente

As ideia errada e as batida de putaria
Aliena a maioria
Afogando em disforia
os que poderia lutar por melhoria

Rebolando ao som de sirene
enquanto o mundo derrete

Falta de profundidade se pá nos condene
enquanto o inimigo se diverte

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Prazo de Validade

Tem falta que nunca vai deixar de faltar
Tem saudade que nunca vai deixar de apertar

Fomos ataques de riso
Fomos crises de choro

Fomos um tanto paraíso
Outro tanto desaforo

Fomos tudo que tinha que ser
e mais um pouco

Mas talvez Deus nos tenha imposto prazo de validade…

Ou seria o destino impiedoso que já se tinha resolvido?
Ou seria o sonho etérico que já se tinha dissolvido?

Cabia culpa ou culpado?
Cumpria prudência ou pecado?

Fato que, sem juízo,
perecia

Fato que, sem aviso,
despedida

Já não somos mais riso
Nem tanto mais choro

E assim fez-se de mim, tolo
E assim fez-se do tempo, oco

Agora falta
que nunca vai deixar de faltar

Agora saudade
que nunca vai deixar de apertar

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inimigo do meu inimigo

Patrões e empregados
Diferentemente explorados
Psicologicamente abalados
Individualmente motivados
Propositalmente desorientados
Igualmente escravizados

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Ladrão de INSTAnte

Minha mísera insignificância
Todos os meu quase
Talvez sejam só fase
Produto da inconstância

Se for para jogar o papo reto
Esse insta não tem nada de interessante
Ruba o tempo e o verdadeiro instante
Ladrão que entra na mente discreto

Sinto falta nem sei de que
Mas desliguei notificação
Tirei tudo quanto é alarme
Até porque like não tem charme

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Imóvel

Deságua em mim um desejo de liberdade
mas aprisionado na causalidade
e vencido pela idade

me dá preguiça.

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Volume

É sentar e aceitar o tédio
O constante tédio de existir

É abaixar o volume
pra ouvir melhor

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REFORMA

Ao refúgio ano final da rua
a casa de portão verde
Te deixaram nua
repintaram sua parede
Trocam janela
compraram outro sofá
Esconderam as fotos dela
– sinal de que outra mora lá

Difícil amenizar a dor do adeus
Encontrar de novo o riso sincero
Mas a reforma foi necessária

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