Um olhar cada vez mais consciente – e cada vez menos paciente

Um olhar cada vez mais consciente
e cada vez menos paciente

De corrente de observação
por horas inconsequente
mas nunca carente de opinião

Evolucão?
é o que preso e carrego
pra que essa história nunca tenha continuação

Abuso, medo, preconceito
a porrada é diária
a prisão perpétua

Desafeto pelo humano
desconsideração pelo ser
é só assim que a conta fecha

Flecha parece a única resposta
a solução tem ingredientes de luta, revolta, palavra e ação

O primeiro passo é um olhar cada vez mais consciente
e atitude cada vez mais menos paciente

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Alma liberta

Em todo caos, beleza
Em toda alegria, tristeza
Em toda força, delicadeza

Sem pressa, ela festeja
Sua própria natureza

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Quarto minguante

O vento frio anuncia
inverno da alma

O dia minguado
ignora as fases da lua

Fez-se a feliz melancolia
de acordar sozinho

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Hátensão

Parece que esse mundo insiste em assassinar o romance
Desfazer qualquer lance
Comprimir o nuance

Nossos cérebros insaciáveis por mais conteúdo
Nossos corações carentes de algo mais profundo

É sempre mais performance
E tudo no mesmo conforme

Talvez seja esse o problema dos dias de hoje:
Que toda poesia virou meme ou emoji

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Erro de Cálculo

Me perdi em linhas tortas
palavras mal escritas
e verdades não ditas.

Me afundei em mar bravo
hipocrisia de um tanto
e mentira pelo encanto.

Me confundi buscando no outro
o que tá dentro do meu próprio enrosco.

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Intrínseco

São dos mais estranhos espaços
as entranhas da alma

Casca que descasca em solidão
Flor que desabrocha em sombra

Vida pra quem se permite
ir além da vida de quem só assiste.

85 / 139

Presente hereditário

O choro que chora de saudade
De ouvir no piano ou no rádio pela cidade
Lembrança do silêncio e sua sonoridade

Herança que me foi entregue
Amor que diariamente me persegue
Que suas notas minh’alma sempre regue

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