O Som da Dúvida

E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.

Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52

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Movimento

Profundo oceano das lágrimas não derramadas

Fria brisa que toca meu rosto entristecido

Lembrai que sois apenas mar e vento

Nada além de natural lamento

Que como maré e tempo

Em algum momento

Hão de passar.

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Dia de Chuva

Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro

Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento

Se faz tempestade repentina
Lavando a tristeza que não termina

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Tempestade repentina

Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro

Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento

Se faz tempestade repentina
Lavando tristeza que não termina

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Aviso de Despejo

Estar quando convém e não por desejo declarado.

Do convite que nunca veio.

Do carinho que não é feito.

Da prioridade que nunca é minha.

Da mensagem que nunca chega.

Da palavra que não é dita.

Da atenção que é não é dada.

De esperar pela resposta e viver de aposta.

É preciso ouvir o silêncio e seu cortejo,
recebo suas ausências como aviso de despejo.

Seja pela ameaça ou verdade escondida na carcaça,
fato é que essa gangorra nunca teve a mínima graça.

Seja por ego, medo ou de controle mania,
me despeço com sincera cortesia.

Pois cansei de amar sem ser cuidado,
de cuidar sem ser amado.

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Reconstrução

Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrança

As páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpido

Cicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequência

Vulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, morto

Ser consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?

Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminada

Indiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamento

Não ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passado

Para enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado

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Ladra do Tempo

Eis que chega inverno ao coração e começa a dança
Meu par? Teimosa solidão espalhando desajeitados passos pela casa

Em seu compasso esvazia meu sofá
Meu lugar na cama, meu café da manhã

Esvazia cada canto que guarda memórias incrustadas
Em cada tijolo, vidro, CD, disco e móvel antigo

Impaciente, aflita e silenciosa rouba minha brisa
Toma conta do meu pensamento e do meu corpo

Solidão é ladra do tempo até que se aprenda
Que não é inimiga, mas nossa melhor companheira

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Instante reduzido à Insta

Bem vindo à festa dos inseguros
Toda fantasia fantasiada de vida
Toda verdade, escondida

Aqui todos são maduros
Toda hipocrisia mascarada
Toda mágoa, filtrada

E você vai querer ignorar o escuro
Toda demonstração de afeto fingida
Toda magia, perdida

Com a desculpa de que é o futuro
Toda hora desperdiçada
Toda essência, despedaçada

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A Dança do Tempo

Assistir ao vento
Lembrar que ainda há tempo

Que o processo é lento
E apesar de tanto lamento

Existe, apenas, o momento.

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Previsão do Tempo

deixar o tempo trazer o calor de um Dezembro de amores

de um fim de primavera.

deixar o tempo soprar as folhas de um Março de rancores

de um fim de verão.

deixar o tempo soar o silêncio de um Junho de dores

de um fim de outono.

deixar o tempo exalar o perfume de um Setembro de flores

de um fim de inverno.

deixar o tempo – enfim – passar

de novo.

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Ponto de Ônibus

Já não há mais conto!
Só nos restou o ponto,
E a espera da corrida,
E a amargura da despedida
De uma vida resumida
A um único ponto.

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A Rotina do Apaixonado

Acordo triste, mas com sorriso no rosto
Essa noite Morfeu te trouxe como visita

A manhã é cheia de outras coisas
Você me visita nas notas do ofício

Mas o momento é desperdício sem você

A tarde é cheia de mais outras coisas
Você me visita nas flores pelo caminho

Mas o momento é vazio sem você

Me dá vontade de dormir de novo
Só para ver se sua visita fica

O Sol dança com a Lua
E nessa cena, aflito, meu coração chora

Me deito abraçado ao travesseiro
Imagino seu toque no meu peito, seu cheiro

Espero que visite meus sonhos outra vez
Porque o momento é etéreo sem você

E quem sabe quando eu acordar um dia, todo dia não seja só visita, mas morada na minha singela rotina

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