A estrada que chega ao fim
O caminho que começa
Ilusões de que existe fronteira
Enganos de que há algo além de jornada

A estrada que chega ao fim
O caminho que começa
Ilusões de que existe fronteira
Enganos de que há algo além de jornada
talvez seja sombra
incógnita personalidade
desejo de se esconder
vontade de se aparecer
Me perdi em linhas tortas
palavras mal escritas
e verdades não ditas.
Me afundei em mar bravo
hipocrisia de um tanto
e mentira pelo encanto.
Me confundi buscando no outro
o que tá dentro do meu próprio enrosco.
É tanto pão e circo que hoje sou alérgico ao glúten – e ao sorriso.
A verdade é uma só:
Toda e cada escolha tem seu próprio nó
Então escolha e assuma seus b.o.
Se olho para o futuro, receio de ansiedade
Se revejo o passado, rumino inutilidade
Mas se repousar meu olhar no presente
Sinto a vida que há tanto parecia ausente
Nos mais diversos cantos
Todo momento guarda seus cantos
Encantos que só quando atentos nos contam
Os mais belos contos que à vida cantam
Sabores de dores e amores do instante
Notas que contemplam seu nuance
Sem atenção a vida é sopro
Sem ação o propósito oco
Sem intenção todo tempo muito pouco
Não quero deixar, mas é preciso.
Não quero fugir, mas é preciso.
Não quero esquecer, mas é preciso.
Não quero ignorar, mas é preciso.
Num caminho cheio de não,
me perco com tamanha imprecisão
Das mil dúvidas que se escondem atrás de sombras que o Sol projeta quando tromba na vida.
O tempo parece que não passa e se esquece que perece quando saudade vira verbo:
Ação de usar os fragmentos do passado para se agarrar às lembranças das coisas que só vivemos no futuro.
Na indecisa aurora dos dias,
minha única certeza é a teimosia da minha incerteza.
Na fria tez da manhã,
o amargo sabor de decidir acordar sem você.
E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.
Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52
Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrança
As páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpido
Cicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequência
Vulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, morto
Ser consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?
Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminada
Indiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamento
Não ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passado
Para enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado
Assistir ao vento
Lembrar que ainda há tempo
Que o processo é lento
E apesar de tanto lamento
Existe, apenas, o momento.
Algo rítmico
Cansei de brigar com o algoritmo…
da minha falta de ritmo
de toda hora pensar no que publico
de me definir pelo recorte
de me comparar com o mais forte
de não saber brincar
se pá é falta de resiliência
se pá é falta de terapia
se pá é só loucura minha
se pá só queria ser mais arteiro e menos blogueiro
se pá ter mais substância e menos arrogância
se pá ser mais interessante e menos brochante
#F0d4-se, só cansei de brigar com o algorítmo!
Platão aponta para o céu, onde se encontram meus sonhos.
Secretos, porém libertos por borrões no branco papel.
Aristóteles aponta para a terra, onde se encontram meus desejos e vícios.
Discretos, porém libertos por instintos.
Eu, continuo minha vida.
Liberto, porém incerto para onde apontar.