Tem hora que não dá tempo

Tem hora que não dá tempo
Porque contigo, todo tempo passa muito rápido

Parece que faltam horas, dias, meses, anos…
Porque contigo, dá vontade de viver agora pra sempre

Ontem podia ser hoje, e hoje amanhã
Porque tempo deixa de existir no teu abraço

E quando vemos, o Sol já foi embora
Deixando soar na noite um eco
Do teu toque, do teu perfume, da tua gargalhada…

Fica a vontade de te fazer cafuné
E acordar cutucando teu pé

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Desencontro

Teu trauma tromba no meu
Minha boca encontra coa tua
Toque que derreteu
Palavra que fere e perfura

No arrepio que aparece
Na perna que estremece
Na paz que perece
No prazer que mais queima que aquece

Dormir na água sem pijama
Com o pés cheios de lama
Treta, poesia e um bom tanto de drama

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Paixonites

Te ver e inevitável parece
Soltar um sorriso envergonhado
Meio escondido, meio acanhado
Soltar um sorriso que aquece

Me completo de medo das fita que já vivi
De pensar num futuro que nem existe
Mas te ver e inevitável parece
Soltar um sorriso envergonhado

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Prazo de Validade

Tem falta que nunca vai deixar de faltar
Tem saudade que nunca vai deixar de apertar

Fomos ataques de riso
Fomos crises de choro

Fomos um tanto paraíso
Outro tanto desaforo

Fomos tudo que tinha que ser
e mais um pouco

Mas talvez Deus nos tenha imposto prazo de validade…

Ou seria o destino impiedoso que já se tinha resolvido?
Ou seria o sonho etérico que já se tinha dissolvido?

Cabia culpa ou culpado?
Cumpria prudência ou pecado?

Fato que, sem juízo,
perecia

Fato que, sem aviso,
despedida

Já não somos mais riso
Nem tanto mais choro

E assim fez-se de mim, tolo
E assim fez-se do tempo, oco

Agora falta
que nunca vai deixar de faltar

Agora saudade
que nunca vai deixar de apertar

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Ressignificado de Paixão

Se o fogo é muito intenso
melhor tomar distância,
ter bom senso.

O carinho que o coração carece
não vem da chama que queima,
mas daquela que aquece.

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Zarpar

Era para ser a mulher da minha vida
Escolheu me matar um pouco todo dia

Parto assim desse cais sem destino
Pois de dor minh’alma perece em desatino

Não há razão para continuar ancorado
Meu coração já velho e despedaçado
Não merecia assim ser maltratado

Me levo portanto para longe
Me jogo no entanto para o onde

– que sejam os perigos do mar,
ante insuportável solidão de te amar

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