Cada pedaço

Quebrado, rachado, despedaçado, esparramado, destruído, danificado, estilhaçado, descuidado…

Pensei que fosse meu coração,
mas foi só um vaso que caiu no chão.

Me toca limpar a confusão,
e colar cada pedaço.

Do coração
– e do vaso.

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Derrota

“Dos amores que me tem por vencido, me faz companhia tudo aquilo que poderiam ter sido.”

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Memento amoris

Frágil sentimento que me toma o peito
Confunde pensamento e me arrasta
Aos poucos aprendo a tratar com respeito
Mesmo quando me derruba e desgasta

Vejo sua sombra borrada pela cidade
Fantasma que meus olhos míopes assombra
Revelando todo medo e incapacidade
Que a incoerente tortura apronta

Fosse fácil esquecer o passado
Todo pedaço que lhe foi doado
Todo estilhaço que ficou em mim incrustado

Se pá bem longe num outro espaço
Além da Terra e nossa efêmera existência
Nosso amor dança em perfeito compasso

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A Sorte – Poema Dia da Mulher

Há de se reconhecer nesse mundo alguém de sorte
Quem viver ao lado de uma mulher forte
Da que protege como guerreira
Da que acolhe como parceira

Para cada gota de lágrima, um abraço
Para cada despedaço de alma, um sorriso
Mesmo que por vezes indigno do seu laço
O carinho que transborda sem juízo

Indiferente a como se identifica
Seja de nascença ou por conquista
Mãe, irmã, tia, avó, esposa ou amiga

Sem ti a vida é coisa qualquer
E é mentira de quem diz que não quer
Ter a sorte de ter ao lado uma forte mulher

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Visita ao Cardiologista

O coração possui alta capacidade regenerativa.

Mas teimoso e exigente, não aceita qualquer tratamento.

Portanto, passe longe de remédios caseiros e ditados populares.

Para curar um coração despedaçado,

É só carinho, paciência e auto cuidado.

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A Tal Flor Do Amor

Amor é flor que não sabe lidar com exagero.

Água demais e murcha,
Água de menos, resseca.

Amor é flor que exige lugar certo.

Sol demais e queima,
Sol de menos, não cresce.

Amor é flor que só floresce no equilíbrio.

Poda demais e desaparece,
Poda de menos, reprime.

Amor é flor que não sabe lidar com exagero.

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Ruína Sagrada

Das cinzas de palavras cheias de mentira
Dos pedaços de um coração enganado
Da poeira que é resto de uma alma despedaçada

Eis a metamórfica matéria que transforma menino inocente em homem valente
Eis a divina cicatriz que forja histórias tristes em caráter resistente

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Cobertor Curto

Noite fria avassala angustiada
Pele sóbria tateia o nada
Geada da alma instaurada
Minha cama vira cova, acovardada

Amor é manto que cobre o medo
Onde há cuidado, aconchego
Sua cabeça repousando em meu peito
Encaixe mais que perfeito

Quem diria que voltaria
Por do destino armadilha
Da saudade que é cortesia
Para passar mais uma noite fria

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Veneno

“O amor às vezes é cascavel que antes de picar, avisa.”

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Bifurcação

Minha alma anseia por liberdade
e se perde nos infinitos possíveis caminhos do destino

Caminho solitário ou de solitude?
Plena consciência ou total desatino?

Tento cultivar em mim desapego
e o medo de ficar sozinho às vezes me consome

Sinto chegar a brisa leve do sossego
mas meu coração rebelde grita seu nome

Será que um dia essa dor some?
Ou será que ainda me mata de fome?

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