Confiança
Se a medida da vida está no bem que fazemos aos outros – e não apenas a nós mesmos – somente através de atos de compromisso que recebemos a benção da confiança.

Poemas sobre cotidiano para almas inquietas e corações partidos
Se a medida da vida está no bem que fazemos aos outros – e não apenas a nós mesmos – somente através de atos de compromisso que recebemos a benção da confiança.
Efêmeros segundos que somam o tempo
Parte de um infinito que não liga pra nada
Que não se importa com o meu pensamento
Que não dá bola pra minha cabeça noiada
Distante do instante quando toca o vento
Toma de assalto atenção alienada
A chuva fria lembra a sutileza do momento
A sala vazia, uma vida engarrafada
Eis que poesia cabe em qualquer dia
Com todo calor de sua companhia
Com toda verdade que me acolhe
Com toda ego que me demole
“O coração chora…a alma, evapora.”
Das lágrimas sofridas, das feridas no meu peito
Nasce um novo homem cheio de defeito
Que aceita sua humanidade
Que respeita sua idade
Não se deixa levar pelo egocêntrico
Não aceita nada que não seja autêntico
Se observando esse homem caminha
Se cuidando para não perder a linha
Com calma e carinho constrói sua fortaleza
Para impedir que o mundo tire sua leveza
Aprendendo que também pode existir compaixão
No bravo ato de falar “não”
A busca é pra deixar de ser oito ou oitenta
Mesmo que seja lenta
Em sua complexidade encontrar saudável abrigo
E só assim estar pronto para encarar qualquer perigo
Não quero deixar, mas é preciso.
Não quero fugir, mas é preciso.
Não quero esquecer, mas é preciso.
Não quero ignorar, mas é preciso.
Num caminho cheio de não,
me perco com tamanha imprecisão
Das mil dúvidas que se escondem atrás de sombras que o Sol projeta quando tromba na vida.
O tempo parece que não passa e se esquece que perece quando saudade vira verbo:
Ação de usar os fragmentos do passado para se agarrar às lembranças das coisas que só vivemos no futuro.
Na indecisa aurora dos dias,
minha única certeza é a teimosia da minha incerteza.
Na fria tez da manhã,
o amargo sabor de decidir acordar sem você.
Dolorida a saudade
Mais ainda a maldade
Melhor ser metade
Que inteiro sem dignidade
E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.
Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52
Assistir ao vento
Lembrar que ainda há tempo
Que o processo é lento
E apesar de tanto lamento
Existe, apenas, o momento.
Já não há mais conto!
Só nos restou o ponto,
E a espera da corrida,
E a amargura da despedida
De uma vida resumida
A um único ponto.
Acordo triste, mas com sorriso no rosto
Essa noite Morfeu te trouxe como visita
A manhã é cheia de outras coisas
Você me visita nas notas do ofício
Mas o momento é desperdício sem você
A tarde é cheia de mais outras coisas
Você me visita nas flores pelo caminho
Mas o momento é vazio sem você
Me dá vontade de dormir de novo
Só para ver se sua visita fica
O Sol dança com a Lua
E nessa cena, aflito, meu coração chora
Me deito abraçado ao travesseiro
Imagino seu toque no meu peito, seu cheiro
Espero que visite meus sonhos outra vez
Porque o momento é etéreo sem você
E quem sabe quando eu acordar um dia, todo dia não seja só visita, mas morada na minha singela rotina
Bares abertos, copos cheios, show da banda:
— Véi, a vida anda!
Como se a vida ao normal tivesse voltado, como se a pandemia já tivesse acabado.
É muito louco como isso mexe com nossa cabeça vazia, mas como minha vó já dizia…
…frente a tamanho paradoxo, tamanha hipocrisia:
— Meu Deus, que será disso?
SÁBADO, 15 de Maio de 2021
Me sinto um idiota!
Por fazer a minha parte,
por me privar de ficar na rua até mais tarde.
Me sinto um idiota!
Por que tiram sarro da minha cara,
quando chega com ela quase toda tapada
Me sinto um idiota!
Por acreditar que as pessoas pudessem ser um pouco mais sensíveis com a dor de quem perdeu alguém.
Mas tudo bem,
Porque sei que tem outros tão idiotas quanto eu por aí também.