Tem hora que não dá tempo

Tem hora que não dá tempo
Porque contigo, todo tempo passa muito rápido

Parece que faltam horas, dias, meses, anos…
Porque contigo, dá vontade de viver agora pra sempre

Ontem podia ser hoje, e hoje amanhã
Porque tempo deixa de existir no teu abraço

E quando vemos, o Sol já foi embora
Deixando soar na noite um eco
Do teu toque, do teu perfume, da tua gargalhada…

Fica a vontade de te fazer cafuné
E acordar cutucando teu pé

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Puxei o bonde

O que é um lugar?
O que é um aonde?

O que é essa brisa que me faz pensar
Por que foi que puxei o bonde?

Se pá é a mania de mudar
Se pá é o sentido que não corresponde

Se pá é excesso de lembrar
Se pá é o sentimento que se esconde

Se pá é o cansaço de parar
Se pá é o destino que não me responde

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Ladrão de INSTAnte

Minha mísera insignificância
Todos os meu quase
Talvez sejam só fase
Produto da inconstância

Se for para jogar o papo reto
Esse insta não tem nada de interessante
Ruba o tempo e o verdadeiro instante
Ladrão que entra na mente discreto

Sinto falta nem sei de que
Mas desliguei notificação
Tirei tudo quanto é alarme
Até porque like não tem charme

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Ruína Sagrada

Das cinzas de palavras cheias de mentira
Dos pedaços de um coração enganado
Da poeira que é resto de uma alma despedaçada

Eis a metamórfica matéria que transforma menino inocente em homem valente
Eis a divina cicatriz que forja histórias tristes em caráter resistente

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Bifurcação

Minha alma anseia por liberdade
e se perde nos infinitos possíveis caminhos do destino

Caminho solitário ou de solitude?
Plena consciência ou total desatino?

Tento cultivar em mim desapego
e o medo de ficar sozinho às vezes me consome

Sinto chegar a brisa leve do sossego
mas meu coração rebelde grita seu nome

Será que um dia essa dor some?
Ou será que ainda me mata de fome?

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O Som da Dúvida

E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.

Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52

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Movimento

Profundo oceano das lágrimas não derramadas

Fria brisa que toca meu rosto entristecido

Lembrai que sois apenas mar e vento

Nada além de natural lamento

Que como maré e tempo

Em algum momento

Hão de passar.

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Dia de Chuva

Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro

Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento

Se faz tempestade repentina
Lavando a tristeza que não termina

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Reconstrução

Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrança

As páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpido

Cicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequência

Vulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, morto

Ser consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?

Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminada

Indiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamento

Não ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passado

Para enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado

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Ladra do Tempo

Eis que chega inverno ao coração e começa a dança
Meu par? Teimosa solidão espalhando desajeitados passos pela casa

Em seu compasso esvazia meu sofá
Meu lugar na cama, meu café da manhã

Esvazia cada canto que guarda memórias incrustadas
Em cada tijolo, vidro, CD, disco e móvel antigo

Impaciente, aflita e silenciosa rouba minha brisa
Toma conta do meu pensamento e do meu corpo

Solidão é ladra do tempo até que se aprenda
Que não é inimiga, mas nossa melhor companheira

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