Se o fogo é muito intenso
melhor tomar distância,
ter bom senso.
O carinho que o coração carece
não vem da chama que queima,
mas daquela que aquece.

Se o fogo é muito intenso
melhor tomar distância,
ter bom senso.
O carinho que o coração carece
não vem da chama que queima,
mas daquela que aquece.
Frágil sentimento que me toma o peito
Confunde pensamento e me arrasta
Aos poucos aprendo a tratar com respeito
Mesmo quando me derruba e desgasta
Vejo sua sombra borrada pela cidade
Fantasma que meus olhos míopes assombra
Revelando todo medo e incapacidade
Que a incoerente tortura apronta
Fosse fácil esquecer o passado
Todo pedaço que lhe foi doado
Todo estilhaço que ficou em mim incrustado
Se pá bem longe num outro espaço
Além da Terra e nossa efêmera existência
Nosso amor dança em perfeito compasso
Noite fria avassala angustiada
Pele sóbria tateia o nada
Geada da alma instaurada
Minha cama vira cova, acovardada
Amor é manto que cobre o medo
Onde há cuidado, aconchego
Sua cabeça repousando em meu peito
Encaixe mais que perfeito
Quem diria que voltaria
Por do destino armadilha
Da saudade que é cortesia
Para passar mais uma noite fria
Eis a falta de todas as incapacidades
Da incompetência e da falta de paciência
Por sentir falta de um salve
Por sentir a vida se desfazer na sua ausência
Em desencontros que trombam meu coração partido
Passando pela rotina do dia sem saber de você
Despedaçada pétala que um dia foi flor
Desconsiderada promessa que um dia foi verdadeiro amor
Eis a falha de todas as certezas
Da insuficiência e do abismo da incoerência
O amor tão grande que tudo suporta
Só dura até os créditos de um filme de comédia romântica
Acho que amor é mais difícil que física quântica
Se bem que de física nada conheço
E do amor talvez esteja só no começo
Já que ainda sou a falta de toda incapacidade
Tenho então que aceitar com humildade
Indiferente às primaveras que somam minha idade
Que ainda estou aprendendo o que é amor de verdade
Só lhe serve um coração escravo
Para que sejas do amor rainha
Pois um coração livre não aceita monarquia
Já que em liberdade firma sua moradia
Não idolatra sem razão
Não aceita sem perdão
Só lhe presta um coração escravo
Que aprisionado não exige empatia
Não precisa de retribuição
Não ousa contrariar sua opinião
Pois um coração livre espera parceria
Na genuína troca encontra sua harmonia
Só lhe resta um coração escravo
Para que possas no amor praticar pirataria
Em minha mão, cada fio do seu cabelo se agarra aos meus dedos atrás da sua cabeça como raízes buscando água em nosso suor.
Meu outro braço te abraça com força, transpassando suas costas até chegar do outro lado da sua cintura.
Você me arranha delicadamente as costas.
Nos lábios, a mordida que não machuca por pouco.
Nossas pernas e pés enrolados em perfeito nó.
Nó feito e perfeito, agarrados para nunca mais ser defeito.
Devagarinho, ele sentindo ela apertar cada centímetro de mim.
O tempo deixa de existir.
A matéria vira etérea.
Plural se expande a singular.
Quem disse que dois corpos não podem ao mesmo tempo ocupar o mesmo lugar?
Arde em mim o fato
da tua ausência, o tato.
Mas se com tal tato também me maltrato,
errata seja feita história nesse ressentido ato.
Com tamanha tristeza me despeço.
Com total certeza, me despedaço.
Parece que assim lá se vai o laço,
aprisionado ao papel sem ação ou verdadeiro lastro.
E não há nada tão doloroso como o desproveito
da dor de tudo o que poderia ter sido feito.
Eis que chega inverno ao coração e começa a dança
Meu par? Teimosa solidão espalhando desajeitados passos pela casa
Em seu compasso esvazia meu sofá
Meu lugar na cama, meu café da manhã
Esvazia cada canto que guarda memórias incrustadas
Em cada tijolo, vidro, CD, disco e móvel antigo
Impaciente, aflita e silenciosa rouba minha brisa
Toma conta do meu pensamento e do meu corpo
Solidão é ladra do tempo até que se aprenda
Que não é inimiga, mas nossa melhor companheira
Tínhamos segredos, coisas que sabíamos e nunca ninguém jamais saberia.
Mentimos a todo tempo.
Escondemos sentimentos que muitas vezes eram correspondidos.
Deixamos de falar que realmente nos amamos e estávamos apaixonados.
Afinal, “há tanto a perder não é mesmo?”
Pura mentira de nós para Nós.
Pura mentira de nossas fantasias.
Pura mentira de nossos desejos.
Pura mentira de nossas preocupações.
Afinal, “há tanto a perder não é mesmo?”
Nunca deixamos escapar os segredos. (E estes eram “tão importantes”)
Falsas adulações egocêntricas eram feitas. (E estas eram “tão valorosas”)
Seguramos palavras, gestos e beijos. (E a cada segundo, o amor se afastava)
Esquecemos quem realmente éramos. (E a paixão passou a não arder mais)
Afinal, “há tanto a perder não é mesmo?”
Preferimos ganhar “jogos de amor”. (Do que ter o amor)
Optamos fugir de Nós. (Nos perdemos)
No final, perdemos mais, muito mais do que “pensamos” em perder. (Coisas sem o mínimo valor foram trocadas, por nossas próprias escolhas, pelo amor)
A gente acha fácil e quando vê…já foi
A gente pensa que é e acaba por viajar prum lugar perigoso…nos pensamentos
Tenta decifrar cada passo…são coisas sem cifra
Tenta fazer o certo, com calma…acaba por se calar ou falar demais
Acha que consegue dominar, domar, envolver…só nos perdemos mais e mais
Acha que dá pra tentar…mas Nós não quer, só agente
No final, a gente espera…
Espera um sorriso sincero
Espera um beijo de adeus
Espera um – um sequer gesto de carinho.
É, a gente sabe que às vezes falta.
Falta tanto que até faz falta a falta.
Uns bebem, outros escrevem
Tem gente que corre, tem gente que foge
Mas só a gente, pra poder continuar
Tentando, talvez
Mudando, talvez
Só a gente pra não deixar escapar
Mais uma vez
O amor