É preciso ouvir o silêncio e seu cortejo
Para ver se em mim vejo
A natureza de cada medo e desejo
Tag: poesia
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Hoje acordei e não te vi
Hoje acordei e não te vi
O céu encoberto
Chuva e frio
Porque hoje acordei e não te viAté que um raio de sol
Entre nuvens se apresenta
Iluminando meu ser inteiro
E esquentando meus pés geladosNão era você que chegava
Mas sua presença que, em mim, notava
Hoje acordei e não te vi
Porque hoje acordei e te sentiCategorias: Poesia
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Um olhar cada vez mais consciente – e cada vez menos paciente
Um olhar cada vez mais consciente
e cada vez menos pacienteDe corrente de observação
por horas inconsequente
mas nunca carente de opiniãoEvolucão?
é o que preso e carrego
pra que essa história nunca tenha continuaçãoAbuso, medo, preconceito
a porrada é diária
a prisão perpétuaDesafeto pelo humano
desconsideração pelo ser
é só assim que a conta fechaFlecha parece a única resposta
a solução tem ingredientes de luta, revolta, palavra e açãoO primeiro passo é um olhar cada vez mais consciente
e atitude cada vez mais menos paciente
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Quarto minguante
O vento frio anuncia
inverno da almaO dia minguado
ignora as fases da luaFez-se a feliz melancolia
de acordar sozinhoCategorias: Poesia
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Zarpar
Era para ser a mulher da minha vida
Escolheu me matar um pouco todo diaParto assim desse cais sem destino
Pois de dor minh’alma perece em desatinoNão há razão para continuar ancorado
Meu coração já velho e despedaçado
Não merecia assim ser maltratadoMe levo portanto para longe
Me jogo no entanto para o onde– que sejam os perigos do mar,
ante insuportável solidão de te amarCategorias: Poesia
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Lei da Física (+18)
Em minha mão, cada fio do seu cabelo se agarra aos meus dedos atrás da sua cabeça como raízes buscando água em nosso suor.
Meu outro braço te abraça com força, transpassando suas costas até chegar do outro lado da sua cintura.
Você me arranha delicadamente as costas.
Nos lábios, a mordida que não machuca por pouco.
Nossas pernas e pés enrolados em perfeito nó.
Nó feito e perfeito, agarrados para nunca mais ser defeito.
Devagarinho, ele sentindo ela apertar cada centímetro de mim.
O tempo deixa de existir.
A matéria vira etérea.
Plural se expande a singular.
Quem disse que dois corpos não podem ao mesmo tempo ocupar o mesmo lugar?
Categorias: Poesia
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Hiato
Arde em mim o fato
da tua ausência, o tato.Mas se com tal tato também me maltrato,
errata seja feita história nesse ressentido ato.Com tamanha tristeza me despeço.
Com total certeza, me despedaço.Parece que assim lá se vai o laço,
aprisionado ao papel sem ação ou verdadeiro lastro.E não há nada tão doloroso como o desproveito
da dor de tudo o que poderia ter sido feito.
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O Som da Dúvida
E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.
Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52
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Dia de Chuva
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentroSeja por natureza que aflora
Seja por indignação do ventoSe faz tempestade repentina
Lavando a tristeza que não terminaCategorias: Poesia
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Aviso de Despejo
Estar quando convém e não por desejo declarado.
Do convite que nunca veio.
Do carinho que não é feito.
Da prioridade que nunca é minha.
Da mensagem que nunca chega.
Da palavra que não é dita.
Da atenção que é não é dada.
De esperar pela resposta e viver de aposta.
É preciso ouvir o silêncio e seu cortejo,
recebo suas ausências como aviso de despejo.Seja pela ameaça ou verdade escondida na carcaça,
fato é que essa gangorra nunca teve a mínima graça.Seja por ego, medo ou de controle mania,
me despeço com sincera cortesia.Pois cansei de amar sem ser cuidado,
de cuidar sem ser amado.Categorias: Poesia
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Reconstrução
Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrançaAs páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpidoCicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequênciaVulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, mortoSer consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?
Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminadaIndiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamentoNão ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passadoPara enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado
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Ladra do Tempo
Eis que chega inverno ao coração e começa a dança
Meu par? Teimosa solidão espalhando desajeitados passos pela casaEm seu compasso esvazia meu sofá
Meu lugar na cama, meu café da manhãEsvazia cada canto que guarda memórias incrustadas
Em cada tijolo, vidro, CD, disco e móvel antigoImpaciente, aflita e silenciosa rouba minha brisa
Toma conta do meu pensamento e do meu corpoSolidão é ladra do tempo até que se aprenda
Que não é inimiga, mas nossa melhor companheiraCategorias: Poesia
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Previsão do Tempo
deixar o tempo trazer o calor de um Dezembro de amores
de um fim de primavera.
deixar o tempo soprar as folhas de um Março de rancores
de um fim de verão.
deixar o tempo soar o silêncio de um Junho de dores
de um fim de outono.
deixar o tempo exalar o perfume de um Setembro de flores
de um fim de inverno.
deixar o tempo – enfim – passar
de novo.
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Algo rítmico
Algo rítmico
Cansei de brigar com o algoritmo…
da minha falta de ritmo
de toda hora pensar no que publico
de me definir pelo recorte
de me comparar com o mais forte
de não saber brincar
se pá é falta de resiliência
se pá é falta de terapia
se pá é só loucura minha
se pá só queria ser mais arteiro e menos blogueiro
se pá ter mais substância e menos arrogância
se pá ser mais interessante e menos brochante
#F0d4-se, só cansei de brigar com o algorítmo!
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O Paradoxo Pandêmico
Bares abertos, copos cheios, show da banda:
— Véi, a vida anda!
Como se a vida ao normal tivesse voltado, como se a pandemia já tivesse acabado.
É muito louco como isso mexe com nossa cabeça vazia, mas como minha vó já dizia……frente a tamanho paradoxo, tamanha hipocrisia:
— Meu Deus, que será disso?
SÁBADO, 15 de Maio de 2021Categorias: Poesia
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Sentimento Contagiante
Me sinto um idiota!
Por fazer a minha parte,
por me privar de ficar na rua até mais tarde.Me sinto um idiota!
Por que tiram sarro da minha cara,
quando chega com ela quase toda tapadaMe sinto um idiota!
Por acreditar que as pessoas pudessem ser um pouco mais sensíveis com a dor de quem perdeu alguém.
Mas tudo bem,
Porque sei que tem outros tão idiotas quanto eu por aí também.Categorias: Poesia
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O Mestre e o Aprendiz
Platão aponta para o céu, onde se encontram meus sonhos.
Secretos, porém libertos por borrões no branco papel.
Aristóteles aponta para a terra, onde se encontram meus desejos e vícios.
Discretos, porém libertos por instintos.
Eu, continuo minha vida.
Liberto, porém incerto para onde apontar.
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Os Sons da Dú – vida
E se for vai ser
Aquilo que sou agora
O que fui outrora, e que desejo um dia ser
Saber já não sei
O que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
O que se sabe é tudo o que sei
Nada
O que se quer saber é do mundo
E das coisas que a gente sabe que ele tem
Mas se soubesse não queria
Nesse poema devanear
Toda essa sabedoria
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Fotograrte
Olhar, enquadrar. VelocidadeAaberturaFoco.
CLICK.
Lugar, instante. HoraMinutoSegundo.
CLICK.
Filme, luz, amplia, incide, refrata, s u r g e.
QUÍMICA.
Enquadra, posiciona, expressa.
ARTE.
Fotografar é tecnologia, natureza e arte.
É a visão do fotografo aliada a química.Química que transforma papel em foto,
Click em arte.Categorias: Poesia
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Rubricando Teatro
Teatro,
O viver morto cheio de sentimento,
Entre as pernas dos outros.
Eu, berrante símbolo de expressão!
Para que viver imitando o mundo?
Se o mundo me imita a cada segundo?
Eu, eternamente brigando com a razão!
Teatro,
Gargalhadas o fazem bem
Tanto quanto lágrimas;
Eu, sem saber a direção!
O que mais queres Teatro?
Queres a mim?
Só se me deres a ti.
Não como ganha pão,
Mas como ferramenta de coesão!
Liga-me a ti Teatro!
Pois Eu,
Abrirei todo pano manchado de sangue
Para enfim, ter a ti por completo.
Agora entendo Teatro, todo esse rancor e alegria,
Todo paradoxo de tua existência.
É para que Eu, berrante símbolo de expressão,
Viva sempre entre as pernas dos outros,
Morto, porém cheio de sentimento!
Rubrico agora Eu,
Para que em ti fique guardado tal sentimento
E assinado tal amor…
– Tales Henrique dos Santos Buonarotti Ferreira, Eu, AtorCategorias: Poesia
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Paranoyas
Tínhamos segredos, coisas que sabíamos e nunca ninguém jamais saberia.
Mentimos a todo tempo.
Escondemos sentimentos que muitas vezes eram correspondidos.
Deixamos de falar que realmente nos amamos e estávamos apaixonados.
Afinal, “há tanto a perder não é mesmo?”
Pura mentira de nós para Nós.
Pura mentira de nossas fantasias.
Pura mentira de nossos desejos.
Pura mentira de nossas preocupações.
Afinal, “há tanto a perder não é mesmo?”
Nunca deixamos escapar os segredos. (E estes eram “tão importantes”)
Falsas adulações egocêntricas eram feitas. (E estas eram “tão valorosas”)
Seguramos palavras, gestos e beijos. (E a cada segundo, o amor se afastava)
Esquecemos quem realmente éramos. (E a paixão passou a não arder mais)
Afinal, “há tanto a perder não é mesmo?”
Preferimos ganhar “jogos de amor”. (Do que ter o amor)
Optamos fugir de Nós. (Nos perdemos)
No final, perdemos mais, muito mais do que “pensamos” em perder. (Coisas sem o mínimo valor foram trocadas, por nossas próprias escolhas, pelo amor)Categorias: Poesia
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A Grandeza do Pau-Brasil
Exportamos pau de qualidade
Vermelho remetente ao quente
Largas e longas toras da mata– herança talvez de nossos descendentes africanos
Fôramos nós estuprados pelo colonizador europeu,
Mas demos o troco, sutilmente, com todo vigor e beleza do Pau-Brasil!
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A gente
A gente acha fácil e quando vê…já foi
A gente pensa que é e acaba por viajar prum lugar perigoso…nos pensamentos
Tenta decifrar cada passo…são coisas sem cifra
Tenta fazer o certo, com calma…acaba por se calar ou falar demais
Acha que consegue dominar, domar, envolver…só nos perdemos mais e mais
Acha que dá pra tentar…mas Nós não quer, só agente
No final, a gente espera…
Espera um sorriso sincero
Espera um beijo de adeus
Espera um – um sequer gesto de carinho.
É, a gente sabe que às vezes falta.
Falta tanto que até faz falta a falta.
Uns bebem, outros escrevem
Tem gente que corre, tem gente que foge
Mas só a gente, pra poder continuar
Tentando, talvez
Mudando, talvez
Só a gente pra não deixar escapar
Mais uma vez
O amorCategorias: Poesia
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Improdutividade sabadal
Já se sentiu sem vontade de fazer nada? Mas com vontade de fazer algo?
Não é tédio!
Já sentiu que ficava ali , esperando o tempo passar só por esperar e mais nada?
Não é tédio!
Já se sentiu não amado , com mil dúvidas sobre o seu amor , sobre os “porquês” disso e daquilo?
Não é tédio!
Já se sentiu ali , parado , e seu único ato era trocar de música para uma mais lenta e depressiva ?
Não é tédio!
Ahhhhhhh já chega desse tédio!Fui fumar um cigarro…
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Tédio
Fui buscar o café.
O chão da cozinha molhado com os respingos da chuva que veio.
[Que cabeça a minha deixar a porta entre aberta]
[…]
Amargo. Mesmo com as tantas colheres de açúcar de costume.
[…]
Mais um gole.
[…]
Já não tão amargo quanto o primeiro.
[Que deprimente, escrever sobre o café]
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Café, o poema do café
Café de meia, de cafeteira
Tomo até de mamadeiraCafé em grão, de verão
Secando ao Sol na fazenda do BarãoCafé em pó, com pão e só
Cedinho na casa da vovóCafé expresso, de padaria
Com gosto de correriaSe o café, coitado, soubesse para onde iria,
Sequer ele nasceria.Mas se não fosse a coragem do café,
Eu não estaria de pé,
Escrevendo poesiaCategorias: Poesia
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O Tempo e o Homem
Sou criança, sensível em busca do sorriso
Sou garoto, moleque em busca do maduro
Sou jovem, rebelde em busca da vida
Sou adulto, sensato em busca da segurança
Sou velho, sensível em busca do sorriso…de criançaCategorias: Poesia
