Zarpar

Era para ser a mulher da minha vida
Escolheu me matar um pouco todo dia

Parto assim desse cais sem destino
Pois de dor minh’alma perece em desatino

Não há razão para continuar ancorado
Meu coração já velho e despedaçado
Não merecia assim ser maltratado

Me levo portanto para longe
Me jogo no entanto para o onde

– que sejam os perigos do mar,
ante insuportável solidão de te amar

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Letter To a Lonely Sailor

Dear sailor,

Forget not to lock your golden heart, for only few trusty ones truly deserve it

Beware the evil dressed as divine.

Beware the spell of hypocrisy.

Trust not feelings alone and kindly invite reason to guide you through uncertainty.

Drink carefully the old sailor’s rum to fill your soul with wisdom, so you can balance endurance with tenderness.

Forget not to lock your golden heart for only few trusty ones truly deserve it!

Be careful not to show who you are to those you don’t know with care and compassion.

To be honest doesn’t mean to speak about everything at all times, but to act honorable knowing when to stay silent.

For those you just met, mindfully protect yourself until their actions prove they are worthy.

When you speak too much, you risk giving too much for those who mean your harm.

When you speak too little, you risk being vastly misunderstood.

When you speak nothing can you mindfully say meaningful things.

Slowly listen to their words and with patient eyes observe as they do things to you and others.

For words can be deceiving and meant to cause you harm – only actions shows true intentions.

Be patient, be aware, be kind.

Best regards,

O.C.

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Covarde Incerteza

Criações da minha cabeça ou realidade?
Já nem sei mais de onde vem minha covarde incerteza.

Procuro razões e imagino cenas torturantes…
Assisto nosso filme em detalhes. Mudo de opinião a cada frame.

Em quem devo acreditar? No mocinho? No vilão? Quem é quem?

Mas acreditar não é o bastante.
É preciso viver. É preciso agir mais do que falar, fazer além de escrever.

Tenho vontade de chorar por não saber lidar contigo e todas as suas dúvidas.

Por não ter paciência para sua grosseria.
Por não ter disposição para sua falta de cuidado.

E tudo o que eu queria era uma mensagem sua, um toque que é diferente de todos os outros toques.

“A gente não briga quando está junto”

Por que será?

Porque nos perdemos em nossos próprios pensamentos.
Porque nos afogamos em nossa profundeza escura e fria.

Será que deixamos de cuidar de nós e da gente?
Deixando de estar bem, deixamos de fazer bem

De gentis anjos nos tornamos cruéis demônios um pro outro.

Sinto falta da sua divindade, da sua bondade e carinho.
De como sua presença me tira do chão mesmo deitado.

Me fecho. Me tranco. Me escondo com medo de todas tantas coisas que poderiam acontecer – e das tantas outras que aconteceram.

Somos apenas duas almas românticas do mundo navegando pelo oceano torturante do receio.

Somos apenas escravos da covarde incerteza.

Somos apenas sensíveis e fortes demais para resolver nossas tretas.

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Pensamentos de Cabeça de Travesseiro

É, a vida hoje tá complicada e o dia tá difícil!

É difícil encontrar essência em meio a tantas máscaras que criamos para ter dinheiro, para ter amigos, para ter amor, para ter sexo, para ter felicidade, para ter sucesso e, no meio de tanto querer ter, nos esquecemos de ser.

Queremos ter o rótulo que melhor se enquadra, queremos ter a coisa que mais nos agrada, que mais nos conforta, que mais nos faz feliz.

Mas e o que sentimos? E a sinceridade que guardamos para o travesseiro? Aquela que só nós sabemos que existe e que só nós sabemos onde está? E aqueles pensamentos e sentimentos que nos dão tanto medo de encontrar? E aquela verdade que às vezes nem a gente quer aceitar?

Talvez estejamos deixando tudo isso para trás. Talvez estejamos ignorando o que realmente somos. E em troca de que? Em troca da próxima balada? Em troca da próxima noite de sexo? Em troca do próximo milhão? Em troca do próximo gole? Do próximo back? Da próxima coisa que nos faça esquecer-se de enfrentar as verdades que tanto escondemos?

A vida pode até não ter sentido e ser, simplesmente, efêmera.

As pessoas podem até não ser tão especiais assim e estar, simplesmente, alienadas.

E tudo pode não passar de puro niilismo.

Talvez pouco importe. Talvez tudo seja simples assim e, talvez, essa troca valha a pena.

Mas talvez não. E talvez Ter e não Ser seja o significado da palavra solidão.

E assim a vida pode não ser sobre o que é melhor do que o que, sobre o que sem tem, sobre o que se quer ter. Mas sobre o que se é. Sobre compartilhar o que se sente.

E assim a vida pode não ser mais sobre as coisas que fizemos um para o outro, sobre as coisas que deixamos para vida do outro. Mas sobre os momentos que compartilhamos, sobre os sentimentos que dividimos, sobre cada lágrima derramada ao lado, sobre cada sorriso trocado. Sobre cada segundo vivido junto, sobre cada minuto de troca do intangível, do não mensurado.

E assim possamos sentir mais humanidade, e que assim possamos compartilhar a sinceridade em Ser.

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios, por isso cante, dance e viva intensamente antes que as cortinas se fechem e o espetáculo termine sem (os seus próprios) aplausos”

Charles Chaplin

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Vó Thereza

Já faz tempo, mas ainda me lembro…

Das tardes na cama brincando de Lego, das revistas de carnaval que olhava em tua casa só pra ver aquelas mulheres peladas, dos desenhos que agente fazia, das histórias que você lia para mim, das coisas que só você sabia.

Ah, minha Vó Thereza, foi você que cuidou de mim todo aquele tempo que lembro tão bem.

De vez em sempre eu aprontava, você ficava brava, mas nunca deixava minha mãe me pôr de castigo…E quando o Nono me batia então, você enlouquecia de vez!

Quando você ficou doente eu mal sabia o que era ter saúde, foi na época que para mim o mais importante eram os Cavaleiros do Zodiaco. Para mim, naquela época câncer era um palavrão dos piores, porque sempre que alguém falava ficava triste.

Quando você foi operada eu mal sabia o que era médico, foi na época que para mim ele era um cara chato que toda a vez que eu ia não me deixava tomar sorvete. Para mim, naquela época não sabia que aquele cara chato te salvou, uma vez.

Quando você morreu. Quando você moreu eu mal sabia o que era viver, foi naquele dia do seu enterro que eu fiquei feliz, porque eu vi todos os parentes distântes que eu só via no Natal. Foi quando minha mãe, chorando, me disse:

Quer dar tchau para sua avó?

Apenas fiz um leve sim com a cabeça, ela me ergueu, ainda chorando, e permitiu que eu pudesse ver minha tão querida Vó Tereza pela última vez.

Querida Vó Tereza, que os anjos a tenham.

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