Procura-se
“Amor é a palavra que fugiu do texto com o pretexto de estar fora de contexto por não ser palavra, mas sim comportamento.”

Escritor do letrasolta desde 2010
“Amor é a palavra que fugiu do texto com o pretexto de estar fora de contexto por não ser palavra, mas sim comportamento.”
Em minha mão, cada fio do seu cabelo se agarra aos meus dedos atrás da sua cabeça como raízes buscando água em nosso suor.
Meu outro braço te abraça com força, transpassando suas costas até chegar do outro lado da sua cintura.
Você me arranha delicadamente as costas.
Nos lábios, a mordida que não machuca por pouco.
Nossas pernas e pés enrolados em perfeito nó.
Nó feito e perfeito, agarrados para nunca mais ser defeito.
Devagarinho, ele sentindo ela apertar cada centímetro de mim.
O tempo deixa de existir.
A matéria vira etérea.
Plural se expande a singular.
Quem disse que dois corpos não podem ao mesmo tempo ocupar o mesmo lugar?
Arde em mim o fato
da tua ausência, o tato.
Mas se com tal tato também me maltrato,
errata seja feita história nesse ressentido ato.
Com tamanha tristeza me despeço.
Com total certeza, me despedaço.
Parece que assim lá se vai o laço,
aprisionado ao papel sem ação ou verdadeiro lastro.
E não há nada tão doloroso como o desproveito
da dor de tudo o que poderia ter sido feito.
E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.
Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52
“Sem sofrer de paixões e de amores, quem um dia poderá pagar pelo enterro e pelas flores?”
Profundo oceano das lágrimas não derramadas
Fria brisa que toca meu rosto entristecido
Lembrai que sois apenas mar e vento
Nada além de natural lamento
Que como maré e tempo
Em algum momento
Hão de passar.
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro
Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento
Se faz tempestade repentina
Lavando a tristeza que não termina
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentro
Seja por natureza que aflora
Seja por indignação do vento
Se faz tempestade repentina
Lavando tristeza que não termina
Estar quando convém e não por desejo declarado.
Do convite que nunca veio.
Do carinho que não é feito.
Da prioridade que nunca é minha.
Da mensagem que nunca chega.
Da palavra que não é dita.
Da atenção que é não é dada.
De esperar pela resposta e viver de aposta.
É preciso ouvir o silêncio e seu cortejo,
recebo suas ausências como aviso de despejo.
Seja pela ameaça ou verdade escondida na carcaça,
fato é que essa gangorra nunca teve a mínima graça.
Seja por ego, medo ou de controle mania,
me despeço com sincera cortesia.
Pois cansei de amar sem ser cuidado,
de cuidar sem ser amado.
Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrança
As páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpido
Cicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequência
Vulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, morto
Ser consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?
Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminada
Indiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamento
Não ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passado
Para enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado
Eis que chega inverno ao coração e começa a dança
Meu par? Teimosa solidão espalhando desajeitados passos pela casa
Em seu compasso esvazia meu sofá
Meu lugar na cama, meu café da manhã
Esvazia cada canto que guarda memórias incrustadas
Em cada tijolo, vidro, CD, disco e móvel antigo
Impaciente, aflita e silenciosa rouba minha brisa
Toma conta do meu pensamento e do meu corpo
Solidão é ladra do tempo até que se aprenda
Que não é inimiga, mas nossa melhor companheira
Bem vindo à festa dos inseguros
Toda fantasia fantasiada de vida
Toda verdade, escondida
Aqui todos são maduros
Toda hipocrisia mascarada
Toda mágoa, filtrada
E você vai querer ignorar o escuro
Toda demonstração de afeto fingida
Toda magia, perdida
Com a desculpa de que é o futuro
Toda hora desperdiçada
Toda essência, despedaçada