Veneno
“O amor às vezes é cascavel que antes de picar, avisa.”

Escritor do letrasolta desde 2010
“O amor às vezes é cascavel que antes de picar, avisa.”
Nos mais diversos cantos
Todo momento guarda seus cantos
Encantos que só quando atentos nos contam
Os mais belos contos que à vida cantam
Sabores de dores e amores do instante
Notas que contemplam seu nuance
Sem atenção a vida é sopro
Sem ação o propósito oco
Sem intenção todo tempo muito pouco
Criações da minha cabeça ou realidade?
Já nem sei mais de onde vem minha covarde incerteza.
Procuro razões e imagino cenas torturantes…
Assisto nosso filme em detalhes. Mudo de opinião a cada frame.
Em quem devo acreditar? No mocinho? No vilão? Quem é quem?
Mas acreditar não é o bastante.
É preciso viver. É preciso agir mais do que falar, fazer além de escrever.
Tenho vontade de chorar por não saber lidar contigo e todas as suas dúvidas.
Por não ter paciência para sua grosseria.
Por não ter disposição para sua falta de cuidado.
E tudo o que eu queria era uma mensagem sua, um toque que é diferente de todos os outros toques.
“A gente não briga quando está junto”
Por que será?
Porque nos perdemos em nossos próprios pensamentos.
Porque nos afogamos em nossa profundeza escura e fria.
Será que deixamos de cuidar de nós e da gente?
Deixando de estar bem, deixamos de fazer bem
De gentis anjos nos tornamos cruéis demônios um pro outro.
Sinto falta da sua divindade, da sua bondade e carinho.
De como sua presença me tira do chão mesmo deitado.
Me fecho. Me tranco. Me escondo com medo de todas tantas coisas que poderiam acontecer – e das tantas outras que aconteceram.
Somos apenas duas almas românticas do mundo navegando pelo oceano torturante do receio.
Somos apenas escravos da covarde incerteza.
Somos apenas sensíveis e fortes demais para resolver nossas tretas.
Não sei você aí, mas aqui com 32 anos é bem comum me sentir desconectado da vida, de mim, das pessoas e do mundo…
Tudo parece não fazer sentido e nada parece fazer sentir.
Uma sensação de não pertencimento me consome, passo a operar no piloto automático, me estresso e começo a ser alguém que não me reconheço. Se me descuido, deixo de lado para cumprir uma função para alguém a ponto de esquecer quem eu sou de fato.
Só que recentemente, me reconectando com conceitos que aprendi há alguns anos na faculdade de Teoria U e o Mindfulness através de uma palestra, ouvi um termo que mudou minha percepção sobre esse sentimento de desconexão…
O termo é Arquitetura da Desconexão.
Esse termo me levou a brisar dois caminhos: um de que existe um desenho que nos leva a desconexão (isso na Teoria U é bem legal e ilustrado).
O outro de que somos nós mesmos os arquitetos da nossa própria desconexão. Ou seja, somos nós os responsáveis pelo desenho que nos leva ao comportamento desconexo, desenhando cada traço da nossa desconexão a cada hábito, atitude e decisão que tomamos que nos afasta de quem somos, do que acreditamos ser do bem e para o bem de nós e de todos.
Tomados por ansiedade, traumas mal resolvidos, medo e outras mazelas da alma, arquitetamos nossa própria ruína.
São ações superficiais, efêmeras e geralmente que nos proporcionam algum tipo de recompensa ou alívio imediato as mais perigosas ao nosso ser essencial.
Ações que nos tiram reflexão profunda e proporcionam apenas prazer ao corpo que carrega o espírito machucado.
Mas por que então permitimos tanta desconexão diariamente?
Me parece que por pura preguiça, egoísmo e fragilidade.
Preguiça porque todo cuidado dá trabalho, é cansativo e tedioso.
Cuidar é um processo lento e longo.
Cuidar do corpo exige atenção e vigilância constante com a alimentação e exercícios físicos.
Cuidar do amor exige atenção, tempo e doação para com o outro mais que com nós mesmos.
Não cuidar é mais fácil e rápido. Se esconder atrás de desculpas e se colocar no lugar de vítima das circunstâncias é mais cômodo que aceitar com coragem e compaixão as cartas que nos foram dadas.
Egoísmo porque ter compaixão exige genuína humildade.
Compaixão para aceitar o outro, suas opiniões e maneiras exige maturidade.
Maturidade é estar conectado com nossa essência e o momento presente.
Só através da maturidade chegamos ao ponto de ter compaixão pelas dores, amores, sofrimentos e alegrias que não nos pertence.
Só assim podemos agir com humildade perante aos outros que cruzam nossa jornada.
Não ter maturidade é agir com egoísmo de nós colocarmos ao centro de todas as ações alheias e nos preocuparmos apenas como nos sentimos frente ao mundo. É crer e viver sem considerar como nossas ações interferem absurdamente na vida daqueles que cruzam nosso caminho.
Fragilidade porque conexões profundas exigem resiliência para suportar momentos de dor, solidão e medo.
O efêmero é raso, simples e não exige esforços, mas para buscar conexões profundas em nós e com os outros precisamos seguir firmes e por um bom tempo.
Só assim podemos alcançar a essência das coisas e as coisas que fazem parte de sua essência.
Para isso, é preciso grande encontro e fidelidade aos nossos valores, ideias e crenças de conduta.
É preciso aceitar porém nossa fragilidade, nossa carne fraca e desejo instintivo.
No entanto, também se faz necessário compreender que sentimento não é sinônimo de conexão verdadeira, mas de processos alquímicos que tomam conta do nosso estar.
Afinal nosso estar pode estar longe do nosso ser essencial, dos nossos valores, das nossas condutas genuínas.
Tudo isso por estarmos em desconexão com quem somos e com os tantos mundos que habitamos diariamente no trabalho, relacionamentos, família…
Desconexão que não é imposta pelas circunstâncias, mas arquitetada pelos demônios que alimentamos em nós.
Minha alma anseia por liberdade
e se perde nos infinitos possíveis caminhos do destino
Caminho solitário ou de solitude?
Plena consciência ou total desatino?
Tento cultivar em mim desapego
e o medo de ficar sozinho às vezes me consome
Sinto chegar a brisa leve do sossego
mas meu coração rebelde grita seu nome
Será que um dia essa dor some?
Ou será que ainda me mata de fome?
Existe uma magia única em passar por uma rua, ver umas caixas de vinil na frente de um café, parar e levar para casa alguns discos que você não tem ideia do que tem.
Uma magia que vem de um encontro tão raro hoje em dia.
Um encontro com o acaso, com o caos, com o destino.
Quantos micro eventos tiveram que acontecer para um daqueles discos parar na sua casa tocando na sua sala?
Quantas pessoas, histórias e vitrolas esse disco já conheceu antes de conhecer você?
E ali não tinham todos os discos do mundo à sua disposição, você também não poderia levar todos para casa e nisso, acontece outro encontro mágico.
O encontro consigo mesmo, pois naturalmente existe intenção, carinho e foco no que é certo para você.
Você intencionalmente repousa sua atenção na escolha dos discos em algo que lhe rouba atenção por conhecer o nome do artista, ou de repente a imagem da capa que te lembra alguma coisa, ou simplesmente porque te deu uma vontade inexplicável de levar um disco específico.
É só sobre você e suas escolhas.
Nos deixamos levar por conversas com outros entusiastas e colecionadores, nos deixamos encantar por viver e observar o momento da nossa curiosidade. Compramos alguns discos e levamos para casa apenas a ansiedade pela descoberta.
Na hora de chegar em casa para tocar, outro momento de muita atenção acontece…
Diferente de qualquer outro meio de ouvir música, é preciso colocar o vinil, ligar a vitrola e quando acabar um lado, trocar para o outro.
Não dá pra pular música num simples toque, não dá para voltar arrastando o dedo pela tela, não dá para colocar numa playlist.
É preciso saborear todos os temperos que o disco pode te oferecer com calma.
Temperos doces, amargos, salgados, azedos, ácidos…
E é engraçado como não existe necessariamente um tempero bom ou ruim, mas apenas o prazer em estar presente sem julgamentos e aberto para saborear todas as notas e nuances que o destino colocou na nossa frente.
Existe uma magia única em experiências como essa que nos conectam mais com nós mesmos, nossa alma e menos com tudo o que é possível.
Esses dias ouvi não sei aonde uma frase que cunhou um termo que me fez total sentido:
“Vivemos um sério problema de obesidade de conteúdo.”
Desconhecido
Nossa gula por mais nos tornou obesos e não sabemos diferenciar os sabores das experiências que vivemos por estar sempre em busca de mais informação, mais conteúdo, mais, mais, mais e mais.
A entrega é na tela, sentado no sofá e isenta de qualquer mágica.
O olhar é viciado, não intencional, ansioso e frenético.
Podemos ter evoluído a tecnologia, mas nossa alma segue a mesma
Acho que por isso que as gerações mais novas têm se voltado pra fora da internet, perdido interesse por tudo isso e com ar de nostalgia.
Talvez exista esperança.
Talvez precisamos estar cada vez mais conscientes do tipo de conteúdo que consumimos – já que hoje o banquete está sempre servido.
Das lágrimas sofridas, das feridas no meu peito
Nasce um novo homem cheio de defeito
Que aceita sua humanidade
Que respeita sua idade
Não se deixa levar pelo egocêntrico
Não aceita nada que não seja autêntico
Se observando esse homem caminha
Se cuidando para não perder a linha
Com calma e carinho constrói sua fortaleza
Para impedir que o mundo tire sua leveza
Aprendendo que também pode existir compaixão
No bravo ato de falar “não”
A busca é pra deixar de ser oito ou oitenta
Mesmo que seja lenta
Em sua complexidade encontrar saudável abrigo
E só assim estar pronto para encarar qualquer perigo
“Terminar relacionamentos custa caro demais ao coração – por isso é sempre bom pensar bem com quem vamos começá-los.”
Não quero deixar, mas é preciso.
Não quero fugir, mas é preciso.
Não quero esquecer, mas é preciso.
Não quero ignorar, mas é preciso.
Num caminho cheio de não,
me perco com tamanha imprecisão
Das mil dúvidas que se escondem atrás de sombras que o Sol projeta quando tromba na vida.
O tempo parece que não passa e se esquece que perece quando saudade vira verbo:
Ação de usar os fragmentos do passado para se agarrar às lembranças das coisas que só vivemos no futuro.
Na indecisa aurora dos dias,
minha única certeza é a teimosia da minha incerteza.
Na fria tez da manhã,
o amargo sabor de decidir acordar sem você.
Dolorida a saudade
Mais ainda a maldade
Melhor ser metade
Que inteiro sem dignidade
Eis a falta de todas as incapacidades
Da incompetência e da falta de paciência
Por sentir falta de um salve
Por sentir a vida se desfazer na sua ausência
Em desencontros que trombam meu coração partido
Passando pela rotina do dia sem saber de você
Despedaçada pétala que um dia foi flor
Desconsiderada promessa que um dia foi verdadeiro amor
Eis a falha de todas as certezas
Da insuficiência e do abismo da incoerência
O amor tão grande que tudo suporta
Só dura até os créditos de um filme de comédia romântica
Acho que amor é mais difícil que física quântica
Se bem que de física nada conheço
E do amor talvez esteja só no começo
Já que ainda sou a falta de toda incapacidade
Tenho então que aceitar com humildade
Indiferente às primaveras que somam minha idade
Que ainda estou aprendendo o que é amor de verdade
Só lhe serve um coração escravo
Para que sejas do amor rainha
Pois um coração livre não aceita monarquia
Já que em liberdade firma sua moradia
Não idolatra sem razão
Não aceita sem perdão
Só lhe presta um coração escravo
Que aprisionado não exige empatia
Não precisa de retribuição
Não ousa contrariar sua opinião
Pois um coração livre espera parceria
Na genuína troca encontra sua harmonia
Só lhe resta um coração escravo
Para que possas no amor praticar pirataria