Mesmo sem olhos atentos,
em algumas coisas há atenção
pelo simples fato
de não exigirem tal ato
– e serem, apenas, fato.
Tag: poema
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Belas coisas não pedem atenção
Categorias: Poesia
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Hoje acordei e não te vi
Hoje acordei e não te vi
O céu encoberto
Chuva e frio
Porque hoje acordei e não te viAté que um raio de sol
Entre nuvens se apresenta
Iluminando meu ser inteiro
E esquentando meus pés geladosNão era você que chegava
Mas sua presença que, em mim, notava
Hoje acordei e não te vi
Porque hoje acordei e te sentiCategorias: Poesia
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Contigo
Cada segundo contigo é um infinito de possibilidades
Sinto cultivando semente que
Desamparada pelo acaso caótico destino ou
Maltratada pelas intempéries do tempo
Pode nunca germinar……pode gerar árvore sem fruto
…e pode nem árvore sequer transformarMas não a cultivo para ter seu fruto, sua sombra ou sua beleza
A cultivo por cultivar
Porque cuidar um pouco, todo dia, basta
Viver, um pouco, todo dia, não só preenche
Transborda
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Libertas que tamen
À soma dos meus fracassos,
Ao múltiplo dos meus quase,
Me abandonem de vez, me libertem!Categorias: Poesia
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Desencontro
Teu trauma tromba no meu
Minha boca encontra coa tua
Toque que derreteu
Palavra que fere e perfuraNo arrepio que aparece
Na perna que estremece
Na paz que perece
No prazer que mais queima que aqueceDormir na água sem pijama
Com o pés cheios de lama
Treta, poesia e um bom tanto de dramaCategorias: Poesia
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Plano Sutil
Existe um lugar um tanto além…
Um lugar que não é de estadia ou destino de chegada.
Um lugar que não é, que está.
Um lugar que não é onde, é quando.
Um lugar que não se conquista, mas um estado que se acessa.
Um lugar que não se chega, mas acontece.
Um lugar que não tem fronteira, mas assume várias formas.
Um lugar que não é de conexão ou de comunicação, mas de afinação.
Existe um lugar um tanto além…
Um lugar que compõe um todo indivisível.
Um lugar de unidade.
Um lugar de não dualidade.
Existe um plano Sutil.
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Pregação
Por favor, não me sigam
Não escutem o que eu digo
Não façam o que eu faço
Não sejam meus discípulos
Não comprem meus cursos
Não busquem sentido
Não me idolatrem
Não me presenteiem
Não me reverenciem
Não me elevem
Não me consagrem
Não me considerem guruNão tentem compreender porque atravessei a rua…
A vida é mais simples, efêmera e caótica
A vida é uma ciscada de cada vezPocó!
Categorias: Poesia
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Teatro do Ego
Parece grade que prisão assombra
Mas é projeção e sombra
Que cabeça monta
Aprisiona tontaCategorias: Poesia
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Invictus
Do ventre da noite que me encobre,
Negra feito abismo sem margem.
Agradeço seja lá o que Deuse é,
Pela minha alma que não se rende.Sob as crueis garras da circunstância
Não tremi, nem chorei alto.
Sob o espanco do acaso
Minha cabeça está ensanguentada, mas não se curva.Além deste lugar de ira e lágrimas,
Paira apenas o horror da escuridão.
Ainda assim a ameaça do tempo
Chegará, e me encontrará sem medo.Não importa quão estreito seja o portão,
Quão cheio de punições o julgamento,
Eu sou o mestre do meu destino,
Eu sou o capitão da minha alma.Tradução e adatação do poema “Invitus” de William E. Henley para o Português (BR), conhecido por ter inspirado Nelson Mandela a persistir em seus 27 anos de prisão durante o regime do apartheid na África do Sul entre 1948 e 1994
Categorias: Poesia
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Parachoque de Caminhão
Atrasado na vida
Que hoje é só minha
Porque queria que fosse nossa:
Um cachorro, uma caminhonete véia…
…e vocêCategorias: Poesia
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Sobra
Sobra sonho não realizado
Sobra boleto que não foi pago
Sobra cansaço por não ter planejado
Sobra começo sem ter acabado
Sobra falta de quem não devia ter faltado
Sobra peça fora do quadrado
Sobra eu totalmente deslocado
Num mundo que parece que dorme acordado
Sobra preguiça pra ser ousado
Sobra arrependimento de ser inconformado
Sobra grito na garganta entalado
Sobra tristeza no quarto deitado
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Infortúnio pós moderno
“Pagar as contas nesse mundo sendo como realmente somos é, infelizmente, privilégio de poucos.”
Categorias: Frases
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Incógnita Personalidade
talvez seja sombra
incógnita personalidadedesejo de se esconder
vontade de se aparecer
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Um olhar cada vez mais consciente – e cada vez menos paciente
Um olhar cada vez mais consciente
e cada vez menos pacienteDe corrente de observação
por horas inconsequente
mas nunca carente de opiniãoEvolucão?
é o que preso e carrego
pra que essa história nunca tenha continuaçãoAbuso, medo, preconceito
a porrada é diária
a prisão perpétuaDesafeto pelo humano
desconsideração pelo ser
é só assim que a conta fechaFlecha parece a única resposta
a solução tem ingredientes de luta, revolta, palavra e açãoO primeiro passo é um olhar cada vez mais consciente
e atitude cada vez mais menos paciente
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Quarto minguante
O vento frio anuncia
inverno da almaO dia minguado
ignora as fases da luaFez-se a feliz melancolia
de acordar sozinhoCategorias: Poesia
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…e não estou falando apenas de plantas
Mais de mês e ela vazia
Morta, seca e sozinhaComo tantas coisas na vida, falta só:
Um lugar melhor
Um cadão de sol– e não desistir de cuidar
Categorias: Poesia
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Erro de Cálculo
Me perdi em linhas tortas
palavras mal escritas
e verdades não ditas.Me afundei em mar bravo
hipocrisia de um tanto
e mentira pelo encanto.Me confundi buscando no outro
o que tá dentro do meu próprio enrosco.
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Presente hereditário
O choro que chora de saudade
De ouvir no piano ou no rádio pela cidade
Lembrança do silêncio e sua sonoridadeHerança que me foi entregue
Amor que diariamente me persegue
Que suas notas minh’alma sempre regueCategorias: Poesia
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Perspectiva do Abraço
Todo abraço contém um abismo
Seja distância que compacta
Seja espaço que dilata
Todo abraço contém um abismoCategorias: Poesia
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Cada pedaço
Quebrado, rachado, despedaçado, esparramado, destruído, danificado, estilhaçado, descuidado…
Pensei que fosse meu coração,
mas foi só um vaso que caiu no chão.Me toca limpar a confusão,
e colar cada pedaço.Do coração
– e do vaso.Categorias: Poesia
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Memento amoris
Frágil sentimento que me toma o peito
Confunde pensamento e me arrasta
Aos poucos aprendo a tratar com respeito
Mesmo quando me derruba e desgastaVejo sua sombra borrada pela cidade
Fantasma que meus olhos míopes assombra
Revelando todo medo e incapacidade
Que a incoerente tortura aprontaFosse fácil esquecer o passado
Todo pedaço que lhe foi doado
Todo estilhaço que ficou em mim incrustadoSe pá bem longe num outro espaço
Além da Terra e nossa efêmera existência
Nosso amor dança em perfeito compassoCategorias: Poesia
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A Sorte – Poema Dia da Mulher
Há de se reconhecer nesse mundo alguém de sorte
Quem viver ao lado de uma mulher forte
Da que protege como guerreira
Da que acolhe como parceiraPara cada gota de lágrima, um abraço
Para cada despedaço de alma, um sorriso
Mesmo que por vezes indigno do seu laço
O carinho que transborda sem juízoIndiferente a como se identifica
Seja de nascença ou por conquista
Mãe, irmã, tia, avó, esposa ou amigaSem ti a vida é coisa qualquer
E é mentira de quem diz que não quer
Ter a sorte de ter ao lado uma forte mulherCategorias: Poesia
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Lembranças
Se um dia nadei ao lado das estrelas do céu
Hoje elas se esconderamSe um dia saltei das palavras do seu papel
Hoje elas me prenderamLembranças são pequenos estilhaços de vidro que nos cortam os dedos toda vez que tentamos juntar seus pedaços.
Lembranças são fragmentos de vida que nos rasgam a alma toda vez que esquecemos do presente.
Categorias: Poesia
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Visita ao Cardiologista
O coração possui alta capacidade regenerativa.
Mas teimoso e exigente, não aceita qualquer tratamento.
Portanto, passe longe de remédios caseiros e ditados populares.
Para curar um coração despedaçado,
É só carinho, paciência e auto cuidado.
Categorias: Poesia
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Mergulho
Há um buraco onde me enfio voluntariamente
Há um abismo que me consome absurdamente
Há um terror travestido de conforto
Há um ódio composto de abortoNas escuras mazelas de minha índole
Reside o mal de todo meu mundo
Reside o monstro que compõe meu ser imundoComo é possível ter tanta raiva do espelho?
Como é possível se olhar na cara e sentir medo?
Como é possível não aceitar o próprio enredo?Só queria dormir com vontade de acordar…
Só queria aprender a me amar…Categorias: Poesia
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Mentira, o poema da mentira
Eis a parte que despedaça todo laço,
Eis o pedaço que contempla todo descaso.De lábio doce profere palavra vestida de culta,
De perna curta se recusa em manter oculta.Machuca muito mais que soco,
Atinge muito além do osso.…deixa o coração completamente oco.
Categorias: Poesia
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A Tal Flor Do Amor
Amor é flor que não sabe lidar com exagero.
Água demais e murcha,
Água de menos, resseca.Amor é flor que exige lugar certo.
Sol demais e queima,
Sol de menos, não cresce.Amor é flor que só floresce no equilíbrio.
Poda demais e desaparece,
Poda de menos, reprime.Amor é flor que não sabe lidar com exagero.
Categorias: Poesia
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Ruína Sagrada
Das cinzas de palavras cheias de mentira
Dos pedaços de um coração enganado
Da poeira que é resto de uma alma despedaçadaEis a metamórfica matéria que transforma menino inocente em homem valente
Eis a divina cicatriz que forja histórias tristes em caráter resistenteCategorias: Poesia
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O Desencanto de Narciso
Instabilidade não tem nada a vê com intensidade
Maturidade não tem nada a vê com idade
Vivência não garante responsabilidade
Hipocrisia se esconde atrás de autenticidadeEm toda profundidade
Encontra apenas única genuína verdade
Que toda farsa é por inseguridade
Decorrente de grotesca superficialidadeConfusão é instrumento pra crueldade
Mentira rotina que sustenta vaidade
Pra quem só vive de maldade
Se aproveita do inocente caridadeSequestro de serenidade
Cárcere forjado em ambiguidade
Falsa sensação de liberdade
“Amor” com alto teor de toxidadeImperativo cortar cordialidade
Cessar disponibilidade
Retomar dignidade
Se colocar como prioridadeTalvez seja culpa de alguma entidade
Ou da vida em sua vasta complexidade
Pobre daqueles que não buscam austeridade
Pena dos que são vítimas da personalidadeJá indiferente a tanta barbaridade
Começo a cultivar sanidade
Agradecer a Deus por ter me livrado de toda insalubridade
Dum rolê que não merece mais nem um pingo de saudadeCategorias: Poesia
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Cobertor Curto
Noite fria avassala angustiada
Pele sóbria tateia o nada
Geada da alma instaurada
Minha cama vira cova, acovardadaAmor é manto que cobre o medo
Onde há cuidado, aconchego
Sua cabeça repousando em meu peito
Encaixe mais que perfeitoQuem diria que voltaria
Por do destino armadilha
Da saudade que é cortesia
Para passar mais uma noite friaCategorias: Poesia
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Vômito
Mazela da alma e do coração,
feitiço que me encanta à distância vasta solidão,
quebra a guarda e destrói aos poucos cada centímetro de vida.Sem sentido escrevo de olhos fechados,
psicógrafo das coisas que minha alma anseia em vão,
pois a vida sem sentido caminha em sua vaidade plena.…de nada vale o dinheiro, o tempo e o cuidado…
…de nada vale nada e é tudo efêmero…Tudo não passa de um grande baile de mascarados.
Escondidos, mantém sua postura até a coxia.– pois só nas coxas são capazes de mostrar quem realmente são.
Talvez seja aceitar a trivialidade de ser humano,
há falta de sentido que a vida tem.– saborear todos os gostos da solidão.
…dos pedaços quebrados sem recomposição…
…das cicatrizes abertas e tecido em decomposição…Me dá ânsia ser eu mesmo…
…resta o resto do que sobrou um dia,
de um muleque com tanto sonho, bom humor e alegria.
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Bifurcação
Minha alma anseia por liberdade
e se perde nos infinitos possíveis caminhos do destinoCaminho solitário ou de solitude?
Plena consciência ou total desatino?Tento cultivar em mim desapego
e o medo de ficar sozinho às vezes me consomeSinto chegar a brisa leve do sossego
mas meu coração rebelde grita seu nomeSerá que um dia essa dor some?
Ou será que ainda me mata de fome?
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Renovatio
Das lágrimas sofridas, das feridas no meu peito
Nasce um novo homem cheio de defeitoQue aceita sua humanidade
Que respeita sua idadeNão se deixa levar pelo egocêntrico
Não aceita nada que não seja autênticoSe observando esse homem caminha
Se cuidando para não perder a linhaCom calma e carinho constrói sua fortaleza
Para impedir que o mundo tire sua levezaAprendendo que também pode existir compaixão
No bravo ato de falar “não”A busca é pra deixar de ser oito ou oitenta
Mesmo que seja lentaEm sua complexidade encontrar saudável abrigo
E só assim estar pronto para encarar qualquer perigoCategorias: Poesia
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Quase Comédia Nada Romântica
Eis a falta de todas as incapacidades
Da incompetência e da falta de paciênciaPor sentir falta de um salve
Por sentir a vida se desfazer na sua ausênciaEm desencontros que trombam meu coração partido
Passando pela rotina do dia sem saber de vocêDespedaçada pétala que um dia foi flor
Desconsiderada promessa que um dia foi verdadeiro amorEis a falha de todas as certezas
Da insuficiência e do abismo da incoerênciaO amor tão grande que tudo suporta
Só dura até os créditos de um filme de comédia romântica
Acho que amor é mais difícil que física quânticaSe bem que de física nada conheço
E do amor talvez esteja só no começoJá que ainda sou a falta de toda incapacidade
Tenho então que aceitar com humildade
Indiferente às primaveras que somam minha idade
Que ainda estou aprendendo o que é amor de verdadeCategorias: Poesia
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amor-narquia
Só lhe serve um coração escravo
Para que sejas do amor rainhaPois um coração livre não aceita monarquia
Já que em liberdade firma sua moradiaNão idolatra sem razão
Não aceita sem perdãoSó lhe presta um coração escravo
Que aprisionado não exige empatiaNão precisa de retribuição
Não ousa contrariar sua opiniãoPois um coração livre espera parceria
Na genuína troca encontra sua harmoniaSó lhe resta um coração escravo
Para que possas no amor praticar piratariaCategorias: Poesia
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Lei da Física (+18)
Em minha mão, cada fio do seu cabelo se agarra aos meus dedos atrás da sua cabeça como raízes buscando água em nosso suor.
Meu outro braço te abraça com força, transpassando suas costas até chegar do outro lado da sua cintura.
Você me arranha delicadamente as costas.
Nos lábios, a mordida que não machuca por pouco.
Nossas pernas e pés enrolados em perfeito nó.
Nó feito e perfeito, agarrados para nunca mais ser defeito.
Devagarinho, ele sentindo ela apertar cada centímetro de mim.
O tempo deixa de existir.
A matéria vira etérea.
Plural se expande a singular.
Quem disse que dois corpos não podem ao mesmo tempo ocupar o mesmo lugar?
Categorias: Poesia
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Hiato
Arde em mim o fato
da tua ausência, o tato.Mas se com tal tato também me maltrato,
errata seja feita história nesse ressentido ato.Com tamanha tristeza me despeço.
Com total certeza, me despedaço.Parece que assim lá se vai o laço,
aprisionado ao papel sem ação ou verdadeiro lastro.E não há nada tão doloroso como o desproveito
da dor de tudo o que poderia ter sido feito.
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O Som da Dúvida
E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.
Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52
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Dia de Chuva
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentroSeja por natureza que aflora
Seja por indignação do ventoSe faz tempestade repentina
Lavando a tristeza que não terminaCategorias: Poesia
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Tempestade repentina
Parece que o tempo lá fora
Entende o tempo aqui dentroSeja por natureza que aflora
Seja por indignação do ventoSe faz tempestade repentina
Lavando tristeza que não terminaCategorias: Poesia
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Aviso de Despejo
Estar quando convém e não por desejo declarado.
Do convite que nunca veio.
Do carinho que não é feito.
Da prioridade que nunca é minha.
Da mensagem que nunca chega.
Da palavra que não é dita.
Da atenção que é não é dada.
De esperar pela resposta e viver de aposta.
É preciso ouvir o silêncio e seu cortejo,
recebo suas ausências como aviso de despejo.Seja pela ameaça ou verdade escondida na carcaça,
fato é que essa gangorra nunca teve a mínima graça.Seja por ego, medo ou de controle mania,
me despeço com sincera cortesia.Pois cansei de amar sem ser cuidado,
de cuidar sem ser amado.Categorias: Poesia
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Reconstrução
Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrançaAs páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpidoCicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequênciaVulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, mortoSer consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?
Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminadaIndiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamentoNão ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passadoPara enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado
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Ladra do Tempo
Eis que chega inverno ao coração e começa a dança
Meu par? Teimosa solidão espalhando desajeitados passos pela casaEm seu compasso esvazia meu sofá
Meu lugar na cama, meu café da manhãEsvazia cada canto que guarda memórias incrustadas
Em cada tijolo, vidro, CD, disco e móvel antigoImpaciente, aflita e silenciosa rouba minha brisa
Toma conta do meu pensamento e do meu corpoSolidão é ladra do tempo até que se aprenda
Que não é inimiga, mas nossa melhor companheiraCategorias: Poesia
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Algo rítmico
Algo rítmico
Cansei de brigar com o algoritmo…
da minha falta de ritmo
de toda hora pensar no que publico
de me definir pelo recorte
de me comparar com o mais forte
de não saber brincar
se pá é falta de resiliência
se pá é falta de terapia
se pá é só loucura minha
se pá só queria ser mais arteiro e menos blogueiro
se pá ter mais substância e menos arrogância
se pá ser mais interessante e menos brochante
#F0d4-se, só cansei de brigar com o algorítmo!
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O Paradoxo Pandêmico
Bares abertos, copos cheios, show da banda:
— Véi, a vida anda!
Como se a vida ao normal tivesse voltado, como se a pandemia já tivesse acabado.
É muito louco como isso mexe com nossa cabeça vazia, mas como minha vó já dizia……frente a tamanho paradoxo, tamanha hipocrisia:
— Meu Deus, que será disso?
SÁBADO, 15 de Maio de 2021Categorias: Poesia
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Sentimento Contagiante
Me sinto um idiota!
Por fazer a minha parte,
por me privar de ficar na rua até mais tarde.Me sinto um idiota!
Por que tiram sarro da minha cara,
quando chega com ela quase toda tapadaMe sinto um idiota!
Por acreditar que as pessoas pudessem ser um pouco mais sensíveis com a dor de quem perdeu alguém.
Mas tudo bem,
Porque sei que tem outros tão idiotas quanto eu por aí também.Categorias: Poesia
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O Mestre e o Aprendiz
Platão aponta para o céu, onde se encontram meus sonhos.
Secretos, porém libertos por borrões no branco papel.
Aristóteles aponta para a terra, onde se encontram meus desejos e vícios.
Discretos, porém libertos por instintos.
Eu, continuo minha vida.
Liberto, porém incerto para onde apontar.
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Rubricando Teatro
Teatro,
O viver morto cheio de sentimento,
Entre as pernas dos outros.
Eu, berrante símbolo de expressão!
Para que viver imitando o mundo?
Se o mundo me imita a cada segundo?
Eu, eternamente brigando com a razão!
Teatro,
Gargalhadas o fazem bem
Tanto quanto lágrimas;
Eu, sem saber a direção!
O que mais queres Teatro?
Queres a mim?
Só se me deres a ti.
Não como ganha pão,
Mas como ferramenta de coesão!
Liga-me a ti Teatro!
Pois Eu,
Abrirei todo pano manchado de sangue
Para enfim, ter a ti por completo.
Agora entendo Teatro, todo esse rancor e alegria,
Todo paradoxo de tua existência.
É para que Eu, berrante símbolo de expressão,
Viva sempre entre as pernas dos outros,
Morto, porém cheio de sentimento!
Rubrico agora Eu,
Para que em ti fique guardado tal sentimento
E assinado tal amor…
– Tales Henrique dos Santos Buonarotti Ferreira, Eu, AtorCategorias: Poesia
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Tédio
Fui buscar o café.
O chão da cozinha molhado com os respingos da chuva que veio.
[Que cabeça a minha deixar a porta entre aberta]
[…]
Amargo. Mesmo com as tantas colheres de açúcar de costume.
[…]
Mais um gole.
[…]
Já não tão amargo quanto o primeiro.
[Que deprimente, escrever sobre o café]
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Café, o poema do café
Café de meia, de cafeteira
Tomo até de mamadeiraCafé em grão, de verão
Secando ao Sol na fazenda do BarãoCafé em pó, com pão e só
Cedinho na casa da vovóCafé expresso, de padaria
Com gosto de correriaSe o café, coitado, soubesse para onde iria,
Sequer ele nasceria.Mas se não fosse a coragem do café,
Eu não estaria de pé,
Escrevendo poesiaCategorias: Poesia
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O Tempo e o Homem
Sou criança, sensível em busca do sorriso
Sou garoto, moleque em busca do maduro
Sou jovem, rebelde em busca da vida
Sou adulto, sensato em busca da segurança
Sou velho, sensível em busca do sorriso…de criançaCategorias: Poesia
