Espera

A gente vive à espera de saber esperar
Esperando saber se a espera da gente
Também sabe esperar

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Confiança

Se a medida da vida está no bem que fazemos aos outros – e não apenas a nós mesmos – somente através de atos de compromisso que recebemos a benção da confiança.

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Poesia em todo seu clichê

Efêmeros segundos que somam o tempo
Parte de um infinito que não liga pra nada
Que não se importa com o meu pensamento
Que não dá bola pra minha cabeça noiada

Distante do instante quando toca o vento
Toma de assalto atenção alienada
A chuva fria lembra a sutileza do momento
A sala vazia, uma vida engarrafada

Eis que poesia cabe em qualquer dia
Com todo calor de sua companhia
Com toda verdade que me acolhe
Com toda ego que me demole

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Plena Atenção – Um Poema Sobre Mindfulness

Nos mais diversos cantos
Todo momento guarda seus cantos

Encantos que só quando atentos nos contam
Os mais belos contos que à vida cantam

Sabores de dores e amores do instante
Notas que contemplam seu nuance

Sem atenção a vida é sopro
Sem ação o propósito oco
Sem intenção todo tempo muito pouco

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Arquitetura da Desconexão

Não sei você aí, mas aqui com 32 anos é bem comum me sentir desconectado da vida, de mim, das pessoas e do mundo…

Tudo parece não fazer sentido e nada parece fazer sentir.

Uma sensação de não pertencimento me consome, passo a operar no piloto automático, me estresso e começo a ser alguém que não me reconheço. Se me descuido, deixo de lado para cumprir uma função para alguém a ponto de esquecer quem eu sou de fato.

Só que recentemente, me reconectando com conceitos que aprendi há alguns anos na faculdade de Teoria U e o Mindfulness através de uma palestra, ouvi um termo que mudou minha percepção sobre esse sentimento de desconexão…

O termo é Arquitetura da Desconexão.

Esse termo me levou a brisar dois caminhos: um de que existe um desenho que nos leva a desconexão (isso na Teoria U é bem legal e ilustrado).

O outro de que somos nós mesmos os arquitetos da nossa própria desconexão. Ou seja, somos nós os responsáveis pelo desenho que nos leva ao comportamento desconexo, desenhando cada traço da nossa desconexão a cada hábito, atitude e decisão que tomamos que nos afasta de quem somos, do que acreditamos ser do bem e para o bem de nós e de todos.

Tomados por ansiedade, traumas mal resolvidos, medo e outras mazelas da alma, arquitetamos nossa própria ruína.

São ações superficiais, efêmeras e geralmente que nos proporcionam algum tipo de recompensa ou alívio imediato as mais perigosas ao nosso ser essencial.

Ações que nos tiram reflexão profunda e proporcionam apenas prazer ao corpo que carrega o espírito machucado.

Mas por que então permitimos tanta desconexão diariamente?

Me parece que por pura preguiça, egoísmo e fragilidade.

Preguiça porque todo cuidado dá trabalho, é cansativo e tedioso.

Cuidar é um processo lento e longo.

Cuidar do corpo exige atenção e vigilância constante com a alimentação e exercícios físicos.

Cuidar do amor exige atenção, tempo e doação para com o outro mais que com nós mesmos.

Não cuidar é mais fácil e rápido. Se esconder atrás de desculpas e se colocar no lugar de vítima das circunstâncias é mais cômodo que aceitar com coragem e compaixão as cartas que nos foram dadas.

Egoísmo porque ter compaixão exige genuína humildade.

Compaixão para aceitar o outro, suas opiniões e maneiras exige maturidade.

Maturidade é estar conectado com nossa essência e o momento presente.

Só através da maturidade chegamos ao ponto de ter compaixão pelas dores, amores, sofrimentos e alegrias que não nos pertence.

Só assim podemos agir com humildade perante aos outros que cruzam nossa jornada.

Não ter maturidade é agir com egoísmo de nós colocarmos ao centro de todas as ações alheias e nos preocuparmos apenas como nos sentimos frente ao mundo. É crer e viver sem considerar como nossas ações interferem absurdamente na vida daqueles que cruzam nosso caminho.

Fragilidade porque conexões profundas exigem resiliência para suportar momentos de dor, solidão e medo.

O efêmero é raso, simples e não exige esforços, mas para buscar conexões profundas em nós e com os outros precisamos seguir firmes e por um bom tempo.

Só assim podemos alcançar a essência das coisas e as coisas que fazem parte de sua essência.

Para isso, é preciso grande encontro e fidelidade aos nossos valores, ideias e crenças de conduta.

É preciso aceitar porém nossa fragilidade, nossa carne fraca e desejo instintivo.

No entanto, também se faz necessário compreender que sentimento não é sinônimo de conexão verdadeira, mas de processos alquímicos que tomam conta do nosso estar.

Afinal nosso estar pode estar longe do nosso ser essencial, dos nossos valores, das nossas condutas genuínas.

Tudo isso por estarmos em desconexão com quem somos e com os tantos mundos que habitamos diariamente no trabalho, relacionamentos, família…

Desconexão que não é imposta pelas circunstâncias, mas arquitetada pelos demônios que alimentamos em nós.

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Sobre Saborear Discos de Vinil e Obesidade de Conteúdo

Existe uma magia única em passar por uma rua, ver umas caixas de vinil na frente de um café, parar e levar para casa alguns discos que você não tem ideia do que tem.

Uma magia que vem de um encontro tão raro hoje em dia.

Um encontro com o acaso, com o caos, com o destino.

Quantos micro eventos tiveram que acontecer para um daqueles discos parar na sua casa tocando na sua sala?

Quantas pessoas, histórias e vitrolas esse disco já conheceu antes de conhecer você?

E ali não tinham todos os discos do mundo à sua disposição, você também não poderia levar todos para casa e nisso, acontece outro encontro mágico.

O encontro consigo mesmo, pois naturalmente existe intenção, carinho e foco no que é certo para você.

Você intencionalmente repousa sua atenção na escolha dos discos em algo que lhe rouba atenção por conhecer o nome do artista, ou de repente a imagem da capa que te lembra alguma coisa, ou simplesmente porque te deu uma vontade inexplicável de levar um disco específico.

É só sobre você e suas escolhas.

Nos deixamos levar por conversas com outros entusiastas e colecionadores, nos deixamos encantar por viver e observar o momento da nossa curiosidade. Compramos alguns discos e levamos para casa apenas a ansiedade pela descoberta.

Na hora de chegar em casa para tocar, outro momento de muita atenção acontece…

Diferente de qualquer outro meio de ouvir música, é preciso colocar o vinil, ligar a vitrola e quando acabar um lado, trocar para o outro.

Não dá pra pular música num simples toque, não dá para voltar arrastando o dedo pela tela, não dá para colocar numa playlist.

É preciso saborear todos os temperos que o disco pode te oferecer com calma.

Temperos doces, amargos, salgados, azedos, ácidos…

E é engraçado como não existe necessariamente um tempero bom ou ruim, mas apenas o prazer em estar presente sem julgamentos e aberto para saborear todas as notas e nuances que o destino colocou na nossa frente.

Existe uma magia única em experiências como essa que nos conectam mais com nós mesmos, nossa alma e menos com tudo o que é possível.

Esses dias ouvi não sei aonde uma frase que cunhou um termo que me fez total sentido:

“Vivemos um sério problema de obesidade de conteúdo.”

Desconhecido

Nossa gula por mais nos tornou obesos e não sabemos diferenciar os sabores das experiências que vivemos por estar sempre em busca de mais informação, mais conteúdo, mais, mais, mais e mais.

A entrega é na tela, sentado no sofá e isenta de qualquer mágica.

O olhar é viciado, não intencional, ansioso e frenético.

Podemos ter evoluído a tecnologia, mas nossa alma segue a mesma

Acho que por isso que as gerações mais novas têm se voltado pra fora da internet, perdido interesse por tudo isso e com ar de nostalgia.

Talvez exista esperança.

Talvez precisamos estar cada vez mais conscientes do tipo de conteúdo que consumimos – já que hoje o banquete está sempre servido.

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Teimosa Incerteza

Não quero deixar, mas é preciso.
Não quero fugir, mas é preciso.
Não quero esquecer, mas é preciso.
Não quero ignorar, mas é preciso.

Num caminho cheio de não,
me perco com tamanha imprecisão

Das mil dúvidas que se escondem atrás de sombras que o Sol projeta quando tromba na vida.

O tempo parece que não passa e se esquece que perece quando saudade vira verbo:

Ação de usar os fragmentos do passado para se agarrar às lembranças das coisas que só vivemos no futuro.

Na indecisa aurora dos dias,
minha única certeza é a teimosia da minha incerteza.

Na fria tez da manhã,
o amargo sabor de decidir acordar sem você.

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O Som da Dúvida

E se for vai ser
aquilo que sou agora
o que fui outrora e que desejo um dia ser.
Saber já não sei
o que sei é o que sou, o que fui, e o que serei
Quem sabe?
Sabe que tem que saber
o que se sabe é tudo o que sei:
Nada.
O que se quer saber é do mundo
e das coisas que a gente sabe que ele tem,
mas se soubesse não iria
nesse poema devanear
toda essa sabedoria.

Terça-Feira, 24 de Maio de 2011, 15:41:52

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Reconstrução

Da infância destruído sonho de esperança
Maldita seja essa sufocante lembrança

As páginas do abuso escondido
O soco na cara esculpido

Cicatrizes além da aparência
Construíram amarga consequência

Vulgarmente exposta alma e corpo
Pouco a pouco amor profundo destruído, morto

Ser consequência do destino? Ser da vida indesejado inquilino?

Com a força de cada palavra lançada
Mudar o destino por não ser obra terminada

Indiferente ao tempo olhar para dentro
Sem ganância se permitir humilde lamento

Não ser pelo medo tomado
Ao enfrentar os demônios do passado

Para enfim ser livre e não mais condenado
E com o elixir sagrado da vida ser finalmente corado

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Instante reduzido à Insta

Bem vindo à festa dos inseguros
Toda fantasia fantasiada de vida
Toda verdade, escondida

Aqui todos são maduros
Toda hipocrisia mascarada
Toda mágoa, filtrada

E você vai querer ignorar o escuro
Toda demonstração de afeto fingida
Toda magia, perdida

Com a desculpa de que é o futuro
Toda hora desperdiçada
Toda essência, despedaçada

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A Dança do Tempo

Assistir ao vento
Lembrar que ainda há tempo

Que o processo é lento
E apesar de tanto lamento

Existe, apenas, o momento.

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Algo rítmico

Algo rítmico
Cansei de brigar com o algoritmo…
da minha falta de ritmo
de toda hora pensar no que publico
de me definir pelo recorte
de me comparar com o mais forte
de não saber brincar

se pá é falta de resiliência
se pá é falta de terapia
se pá é só loucura minha
se pá só queria ser mais arteiro e menos blogueiro
se pá ter mais substância e menos arrogância
se pá ser mais interessante e menos brochante

#F0d4-se, só cansei de brigar com o algorítmo!

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